Macron cada vez mais forte e Hamon um homem cada vez mais só

Imprensa revela que presidente François Hollande tem 500 apoios congelados caso ainda queira baralhar as contas e avançar

O centrista Emmanuel Macron voltou ontem a aparecer à frente de Marine Le Pen numa sondagem para a primeira volta das presidenciais francesas - que será disputada a 23 de abril. Apesar de a maior parte dos estudos continuarem a dar vantagem à líder da Frente Nacional, o candidato do movimento En Marche! parece estar cada vez mais a consolidar-se como o grande favorito para substituir François Hollande no Eliseu.

Ainda assim, na ampla sondagem da empresa Cevipof - realizada para o jornal Le Monde e divulgada ontem (mais de 15 mil questionários) - Marine Le Pen continua a reunir a maioria das intenções de voto na primeira volta, com 27%. Em segundo lugar, a quatro pontos de distância, aparece Emmanuel Macron. François Fillon, o candidato da direita tradicional, apoiado pel"Os Republicanos, surge na terceira posição e fica-se pelos 19,5%. Na segunda volta, a disputar entre Macron e Le Pen, o ex-ministro da Economia não daria hipóteses, reunindo 62% das intenções de voto.

O barómetro da Harris Interactive, divulgado ontem, é o segundo estudo - depois de uma sondagem da Odoxa realizada no início de março - que dá a Macron a vitória na primeira volta - neste caso com 26% contra 25% de Marine Le Pen. Na hipotética segunda volta entre os dois, o centrista seria sagrado presidente de França com 65% dos votos. Contra Le Pen joga também o facto de - revelava ontem o Les Echos - três em cada quatro franceses quererem continuar no euro e rejeitarem o regresso ao franco - mudança defendida pela líder da Frente Nacional.

Segundo os estudo diários da Opinion Way, os últimos dias revelaram-se positivos para François Fillon - na segunda-feira tinha 19% das intenções de voto e ontem já ascendia a 21%. Ainda assim, a candidatura presidencial do ex-primeiro-ministro parece condenada ao fracasso. Depois de, numa primeira fase, ter sido dado como quase eleito em todos os barómetros e artigos de opinião, Fillon viu as suas aspirações presidenciais serem duramente postas em causa com o escândalo que envolve a sua família. Em causa estão suspeitas de que Fillon terá dado empregos fictícios à sua mulher e aos seus filhos, pagando-lhes o ordenado com dinheiros públicos. Dentro do partido as pressões para que desista da candidatura e ceda o lugar ao também ex-primeiro-ministro Alain Juppé - derrotado na segunda volta das primárias da direita - têm sido muitas, mas, pelo menos para já, Fillon tem-se mostrado irredutível garantindo que irá até ao fim.

A favor de Macron tem jogado também o pouco entusiasmo que Benoît Hamon tem gerado como candidato apoiado pelo Partido Socialista. O jornal Le Figaro divulgou ontem um manifesto de vários militantes da ala direita do PS no qual estes justificam o porquê de apoiarem Emmanuel Macron e não o candidato do seu partido. "Marca uma rutura geracional e o seu projeto ambicioso e credível representa a esperança de uma renovação política", entendem os socialistas.

Até 17 de março todos os candidatos - para confirmarem definitivamente a sua candidatura - estão obrigados a declarar que têm o apoio oficial de 500 detentores de cargos públicos. O Le Parisien divulgava ontem que, apesar de não ter avançado para a corrida, François Hollande tem em gaveta 500 apoios. "Estão congelados para ser usados se for caso disso", garantiu ao jornal uma fonte próxima do chefe de Estado. Hollande prepara-se para sair do Eliseu com a mais baixa taxa de aprovação de sempre para um presidente em final de mandato - no final do ano era inferior a 10%. Apesar de tudo, "de acordo com os seus próximos" - escreve o Le Parisien - "Hollande não está longe de pensar que é o único capaz de enfrentar Le Pen e reconciliar a esquerda".

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