Lula sobe nas sondagens. Maioria aprova destituição de Dilma

Ex-presidente, do Partido dos Trabalhadores, vence em dois dos quatro cenários criados pelo instituto Datafolha. Num perde e noutro empata com Marina Silva

O ex-presidente Lula da Silva subiu entre 4% e 5% nas sondagens, de março para abril, a candidata presidencial derrotada duas vezes Marina Silva teve ligeira queda e os três eventuais concorrentes da área do PSDB, principal força da oposição, desceram a pique gradualmente ao longo dos últimos quatro meses. As conclusões são do inquérito de opinião do instituto Datafolha, realizado nos dias 7 e 8 e ontem publicadas no jornal Folha de S. Paulo, que previu quatro cenários de eleições presidenciais, a dois anos da realização das eleições.

No primeiro cenário, que inclui Aécio Neves, derrotado por Dilma Rousseff no escrutínio de 2014, Lula consegue 21%, Marina 19% e o candidato tucano 17%. Em março, Lula tinha 17%, Marina 21% e Aécio 19%. Desde dezembro, o senador do PSDB, então líder das pesquisas, caiu 10 pontos.

No segundo cenário, com o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, como opção do PSDB, Marina, que lidera o partido Rede Sustentabilidade, passa a 23%, o mesmo resultado obtido na anterior sondagem, Lula soma 22%, mais cinco pontos do que em março, e o tucano 9%. Tal como Aécio, Alckmin está em queda livre desde dezembro.

Com José Serra em vez de Alckmin, o terceiro cenário, a situação não difere: Lula e Marina empatam com 22% (mas a ambientalista caiu dois pontos e o ex-presidente cresceu cinco) e o veterano senador do PSDB atinge 11%, menos dois do que em março, menos quatro do que em fevereiro.

No último cenário, o instituto Datafolha contabiliza todos os tucanos ao mesmo tempo e ainda acrescenta Sérgio Moro, o juiz de primeira instância que coordena a Operação Lava-Jato e que não tem partido nem manifestou qualquer intenção de se candidatar. Nesse caso, Lula vence com a maior vantagem, 21%, cinco pontos à frente de Marina. Entre os pré-candidatos do PSDB, Aécio soma 12%, Serra e Alckmin cinco. 8% dos inquiridos votariam em Moro.

Michel Temer, vice-presidente de Dilma e herdeiro da presidência em caso de destituição da chefe do Estado no impeachment, não passa dos 2% nos três primeiros cenários e de 1% no quarto. Bem atrás de outsiders como o centrista Ciro Gomes (PTB) e o radical de direita Jair Bolsonaro (PSC). Lula lidera ainda uma tabela indesejada: a da rejeição. Mais de metade dos brasileiros (53%) não votariam "de jeito nenhum" no antigo sindicalista. Aécio tem rejeição de 33%, Temer de 27%, Serra de 21% e Marina de 20%.

Nem Dilma nem Temer

O slogan de Marina Silva, "nem Dilma nem Temer", parece ter eco entre os eleitores: seis em cada dez brasileiros querem ver a presidente e também o seu eventual sucessor pelas costas. No caso de Dilma são 60% a pedir a sua renúncia, no caso de Temer 58%.

À pergunta sobre o impeachment, que deve ser votado na Câmara dos Deputados no próximo fim de semana, 61% revelaram-se a favor e 33% contra. Ou seja, exatamente o terço de parlamentares que Dilma precisa de conquistar. Talvez por isso, entre o desejo do que pode acontecer e o que pensam que pode acontecer, os brasileiros divergem: só 49% acham que a presidente cai mesmo.

A maioria (37%) acredita que Temer faria um governo igual ao de Dilma, 27% melhor e 26% pior. De março para abril, a presidente subiu no conceito do eleitorado mas continua com a popularidade bastante negativa: há um mês, 69% achavam o seu governo mau ou péssimo, agora são 63; 24%, contra 21% em março, acham-no regular e 13%, em vez dos 10% da anterior sondagem, consideram a gestão boa ou ótima.

Piores são os resultados de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, correligionário de Temer no PMDB e inimigo declarado de Dilma. O deputado, que há cinco meses responde a pedido de destituição no Conselho de Ética da casa a que preside e foi citado por seis delatores como beneficiário do escândalo do Petrolão, devia cair segundo 77% dos ouvidos pelo Datafolha. A avaliação ao Congresso Nacional, que é quem vai decidir o futuro de Dilma, subiu ligeiramente mas continua com mais opiniões negativas (41%) do que positivas (apenas 11%).

O trabalho de Sérgio Moro na Lava-Jato é elogiado por 64% dos brasileiros (menos um ponto do que em março) enquanto 13% (11% há um mês) o desaprovam.

Comissão vota hoje

Depois de dois dias e duas noites a analisar o relatório que deu parecer favorável à continuação do processo, os 65 membros da Comissão de Impeachment vão hoje votá-lo, provavelmente já madrugada em Portugal. O governo dá como perdida a primeira batalha: bastando minoria simples para aprovar o texto e baixá-lo a votação no plenário da câmara, 40 membros da comissão discursaram a favor do impeachment, 20% contra, um revelou-se indeciso e outros quatro não se pronunciaram.

No plenário, pelo contrário, os governistas têm esperanças de conseguir evitar que 342 num universo de 513 parlamentares votem pela queda de Dilma. A TV Globo já anunciou que vai transmitir a votação em direto.

Em São Paulo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG