Livros contra Trump. Republicano contratou "falso Obama" para o despedir em vídeo

Muito antes de ser candidato, o milionário gravou um vídeo que volta a reaparecer agora que foi mencionado nas memórias do seu ex-advogado, Michael Cohen, que são publicadas amanhã. Um de muitos livros sobre o presidente, a dois meses das eleições.

O "ódio e desprezo" do presidente norte-americano, Donald Trump, pelo seu antecessor, Barack Obama, é um dos temas do novo livro de Michael Cohen, ex-advogado do milionário republicano. Um dos muitos livros que têm sido publicados sobre Trump que podem deixar mossa a dois meses das eleições.

"Trump contratou um falso Obama para participar num vídeo em que Trump 'ritualisticamente menosprezou o primeiro presidente negro e depois despediu-o'", diz o livro de Cohen. O vídeo que o ex-advogado descreve mostra o milionário da Trump Tower num escritório diante de um afro-americano e acaba com o típico "You're fired" (estás despedido) que o agora presidente popularizou no programa The Apprentice.

O vídeo não é novo (terá sido filmado em 2012 e chegou a ser pensado usar-se na convenção republicana desse mesmo ano, que nomeou Mitt Romney como adversário de Obama), mas volta a aparecer agora que foi mencionado por Cohen no seu livro Disloyal: A Memoir (Desleal: Memórias, em português), que será publicado nesta terça-feira.

Cohen foi condenado a três anos de prisão por violar as leis de financiamento da campanha eleitoral, ao comprar com dinheiro o silêncio de mulheres que afirmavam ter tido relacionamentos com Trump, bem como por evasão fiscal e declarações falsas a um banco.

Antes de ser preso, o advogado testemunhou no Congresso e relatou numerosas mentiras e crimes que alegadamente cometeu para proteger Trump, que considerou "um racista" e "uma fraude". No seu livro, conta que o presidente terá qualificado os latinos e os negros como "estúpidos", entre outros comentários racistas.

"Diz-me um país que seja liderado por um negro que não seja um buraco de merda", escreve Cohen, alegadamente citando Trump, que terá atacado até o ex-presidente sul-africano e ativista antiapartheid Nelson Mandela. "Ele não era um líder", indicou.

Outros livros

O livro de Cohen não é o único a chegar às prateleiras a menos de dois meses das presidenciais, tendo também surgido nos media relatos de outros comentários de Trump - nomeadamente em relação aos militares e veteranos de guerra.

Trump, no Twitter, alertou os seus seguidores para a "massiva campanha de desinformação" que os democratas estão a empreender com os seus "sócios", os "fake news media" e as empresas tecnológicas. "Criam falsas histórias e depois partilham-na como nunca se viu antes, até mais do que na campanha de 2016. Põe em perigo o nosso país e deve acabar agora. Vitória 2020!"

Além do livro de Cohen, será publicada para a semana o segundo livro do jornalista Bob Woodward sobre o presidente. A continuação de Medo: Trump na Casa Branca é simplesmente Rage (Raiva) e será publicado no dia 15 de setembro. Ao contrário do que aconteceu no primeiro livro, desta vez o jornalista teve acesso ao presidente, que entrevistou.

Pouco se sabe do livro, a não ser que contém a troca de correspondência entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Este qualifica a sua relação com o presidente como um "filme de fantasia".

As últimas publicações seguem-se já depois de, só neste verão, ter saído o livro de memórias de John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump (que vendeu mais de um milhão de cópias), mas também o livro da sobrinha do presidente, Mary J. Trump, e de outros dois que têm como foco a primeira-dama, Melania.

O último foi escrito por Stephanie Winston Wolkoff, que diz que já foi amiga de Melania, e que foi conselheira até 2018, quando foi afastada após terem sido revelados os enormes custos da tomada de posse de Trump, que ela ajudou a organizar. O livro fala ainda da má relação entre a primeira-dama e Ivanka Trump, filha e conselheira do presidente.

Na calha está também um livro escrito por Andrew Weissmann, o principal procurador no gabinete do conselheiro especial Robert Mueller; um livro sobre a investigação do FBI à alegada interferência da Rússia na campanha de 2016, escrito pelo antigo subdiretor da unidade de contrainteligência Peter Stroz; e um livro do jornalista do The New York Times Michael S. Schmidt sobre o processo judicial contra o presidente. Em outubro está previsto saírem as memórias de Rick Gates, que foi assessor na campanha de 2016 e testemunha da investigação sobre a Rússia.

"Livros sobre políticos e governos não são considerados sucessos comerciais infalíveis. Mas, desde que o presidente Trump chegou à Casa Branca, livros sobre a sua campanha, a sua administração, a sua família, os seus negócios, as suas políticas e até sobre o golfe têm sido publicados por grandes e pequenas editoras. E muitos destes títulos venderam excecionalmente bem", escreve o The New York Times.

Como exemplo, o jornal explica que o livro de Mary J. Trump, a sobrinha do presidente, vendeu mais numa semana do que o último livro da série Hunger Games (Jogos da Fome), publicado em maio e que é considerado um sucesso, com mais de 1,3 milhões de cópias vendidas.

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