Líderes europeus concordam que é preciso financiar a recuperação. Faltam afinar os detalhes

Conselho europeu esteve reunido esta quinta-feira por videoconferência para discutir a forma de financiar o plano de recuperação da economia europeia após a pandemia.

Os líderes europeus estiveram reunidos numa videoconferência, coordenada a partir de Bruxelas, para tentar consertar pontos de vista sobre as formas de financiar o plano de recuperação da economia Europeia.

Existiu um consenso alargado entre os líderes europeus para a criação de um fundo de recuperação económica europeu, coordenado pela Comissão Europeia, que irá funcionar nos próximos três anos. Também foi decidida a criação de três linhas de crédito para financiar as empresas.

Os detalhes do financiamento a longo prazo, no entanto, ficaram ainda por definir. Os pormenores do acordo só serão apresentados no dia 6 de maio, afirmou o primeiro-ministro português, António Costa, na conferência de imprensa após a reunião.

Na reunião, os líderes europeus discutiram as várias opções em cima da mesa. Desde a emissão de dívida conjunta através dos coronabonds, à emissão de dívida perpétua, proposta pelo governo espanhol, passado por opções intermédias, como os recovery bonds, apresentados pelo Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia também avançou com um plano que pretende mobilizar 1,9 biliões de euros, através de empréstimos, garantidos pelo orçamento europeus e de esquemas de alavancagem, para aliviar os Estados, dos elevados níveis de dívida.

De acordo com documento interno, consultado pelo DN/TSF, o plano será financiado através de um instrumento de recuperação temporário, que permitirá à Comissão Europeia recolher até 320 milhões de euros através da emissão de dívida.

Cerca de metade desta verba estará disponível sob a forma de empréstimos aos Estados, a juros baixos, mas com algum tipo de condicionalidade associado, e o restante servirá para reforçar o orçamento e financiar políticas da União.

O ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, considera que independentemente da opção escolhida, deve ser proporcional à crise. Ou seja, "um fundo de recuperação deve ser dimensionado para os custos da crise". Mas, deve ainda "ajudar a distribuir os custos da crise ao longo do tempo", sendo entregue aos Estados "através do orçamento da UE, e deve garantir a solidariedade com os Estados-Membros mais afetados".

"Lembrem-se que numa união como a nossa, nós somos apenas tão fortes quanto o nosso membro mais fraco. É por isso que precisamos de uma proteão semelhante, para o período de recuperação, que comece rapidamente", alertou o no arranque da cimeira.

Os 27 deverão dar luz verde ao pacote de medidas de emergência, negociado no eurogrupo, que ascende a 500 mil milhões de euros. Este plano e composto por uma linha de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que pode emprestar um montante equivalente a 2% do PIB, para despesas relacionadas com o combate sanitário à covid-19. Tem outra vertente que consiste num fundo de garantia do Banco Europeu de Investimento, dirigido às empresas em dificuldades, e uma medida que visa proteger postos de trabalho, que a Comissão Europeia designou como programa "Sure" (Certeza).

Entretanto, o presidente Parlamento Europeu, também esteve reunido com os chefes de Estado ou de Governo, tendo nomeado os impactos de uma crise em que todos são afetados.

"Em Espanha a taxa de desemprego atingiu já os 20 por cento do mercado de trabalho. Mas, por exemplo, para produtores de viveiro holandeses, o comercio já contraiu 70 por cento", salientou, considerando que ninguém sairá da crise de forma isolada.

"Temos uma espiral catastrófica, que atinge todos os nossos países, e assim estou convicto e com esperança de que a resposta será comum", afirmou, defendendo uma solução mista, para o fundo de recuperação que passará, na sua opinião por "um plano que ofereça duas opções de empréstimo e financiamento".

Espera-se que a Comissão seja encarregue de, "em primeiro lugar, analisar as necessidades, e depois apresente os instrumentos necessários para providenciar os recursos suficientes, para fazer face a essas necessidades", avançou uma fonte europeia.

"Esta será uma primeira Cimeira". O trabalho será a partir de hoje entregue à Comissão Europeia, que deverá apresentar propostas "tão depressa quanto possível". "Esta discussão é parte de um processo", comentou a mesma fonte, salientando que "o impacto partilhado da covid-19 nas nossas sociedades, significa que não há uma solução fácil ou rápida.

Com RSF

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG