Liberdade religiosa cada vez mais ameaçada

Situação é crítica para os cristãos do Médio Oriente, com os jihadistas a tudo fazerem para "substituir o pluralismo por uma monocultura religiosa", denuncia o Relatório Liberdade Religiosa no Mundo, hoje divulgado em Roma e que quinta-feira será lançado em Lisboa na presença do arcebispo de Erbil, um dos líderes dos cristãos iraquianos

A liberdade religiosa diminuiu em 11 dos 23 países que já constavam entre os piores infratores, revela a Fundação AIS, que está esta manhã em Roma a apresentar o relatório de 2016 sobre Liberdade Religiosa no Mundo. O período em análise vem desde 2014, e, segundo a fundação ligada ao Vaticano, "é errada a visão popular de que os governos são sobretudo os culpados da perseguição religiosa", pois grande parte da violência, como a que acontece no Médio Oriente contra os cristãos e outras minorias, "é responsabilidade de atores não estatais", com grupo jihadista chamado Estado Islâmico a ser o mais conhecido.

Chama o relatório a atenção de que em países como a Síria e o Iraque, existe hoje um "hiperextremismo" que "está a eliminar todas as formas de diversidade religiosa" com o objetivo de "substituir o pluralismo por uma monocultura religiosa".

No Médio Oriente, onde a degradação da liberdade religiosa é dramática, só o Egito e o Qatar revelam melhorias, segundo o relatório da Fundação AIS. Noutras regiões do mundo, países como a China, a Coreia do Norte, o Paquistão e Myanmar (Birmânia) também merecem duras críticas. Neste último país, a religião maioritária, o budismo, tem mostrado grande intolerância com uma minoria étnica, os Royinga, que professa o islão, prova de que as perseguições podem acontecer com vários culpados e com as mais diversas vítimas. No total, foram analisados 196 países, segundo John Pontifex, editor do relatório Liberdade Religiosa no Mundo, com testemunhos e denúncias múltiplas a serem, analisados.

A Fundação AIS tem marcado para Lisboa, quinta-feira às 16 horas, o lançamento do relatório em Portugal, com apresentação de Fernando Negrão. Catarina Martins, da Fundação AIS, destaca que esta "edição de 2016 do relatório da Liberdade Religiosa no Mundo retrata uma situação crítica, a nível mundial, da liberdade de culto entre o período de Junho de 2014 a Junho de 2016. Os conflitos militares, o terrorismo e as ditaduras contribuíram, entre outras causas, para a degradação alarmante desta mesma liberdade em várias partes do mundo, sendo as organizações fundamentalistas responsáveis pela perseguição religiosa em vários países." A diretora da Fundação AIS chama ainda a atenção de que "no dia do lançamento do Relatório, na Sociedade de Geografia de Lisboa, iremos ouvir o testemunho do Arcebispo Bashar Warda, de Erbil, no Iraque, que nos falará sobre a realidade da liberdade religiosa do seu país e, em particular, sobre a comunidade cristã."

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