Leis europeias travam operação de extrema-direita de Steve Bannon

Movimento extremista e populista do antigo estratega de Donald Trump esbarra nas leis dos vários países onde o americano quer atuar até às europeias de 2019. Financiamento pode ser russo

A intenção de Steve Bannon, antigo estratega de Donald Trump, em apoiar partidos extremistas e populistas de direita europeus pode esbarrar na legislação desses países, divulgou esta quarta-feira o jornal britânico The Guardian. O próprio Steve Bannon admitiu ao jornal que neste momento está a avaliar juridicamente a legislação dos vários países, mas deixando a garantia que nada fará que viole a lei.

Steve Bannon não esconde a sua vontade em fazer eleger, nas eleições europeias de 2019, deputados de partidos fascistas, extremistas e populistas de direita para minar a União Europeia por dentro. Mas a legislação nacional de nove dos 13 países em que o ideólogo extremista gostava de atuar trava a sua atuação, de acordo com os organismos eleitorais e os ministérios com a tutela de organização das eleições,

Confrontado com os resultados, Bannon reconheceu que estava a procurar aconselhamento jurídico sobre o assunto. "Eu não discordo totalmente de você", disse ao jornalista do Guardian em Paris. "Eu acho que há mais flexibilidade em algumas áreas. Mas não há hipótese de violarmos a lei", garantiu.

O antigo estratega de Trump tem tentado arregimentar partidos europeus para o seu lóbi, a que deu o nome de Movimento, a quem prometer depois apoiar com uma espécie de consultoria política para partidos que pensam como ele, promovendo uma votação em bloco em maio.

As leis de Espanha, França, Hungria, Polónia e República Checa proíbem o financiamento partidário estrangeiro. Na Finlândia também existe essa proibição mas a lei tem potenciais falhas que podem abrir a porta à consultoria de Bannon. Já na Alemanha, Áustria e Bélgica, há restrições severas legais.

Em Itália, a ajuda estrangeira é admissível, mas a lei deve vir a impor a sua proibição, apesar dos partidos do Governo de Roma - o Movimento 5 Estrelas e a Liga - terem-se associado a Bannon. Na Dinamarca e na Suécia, a ajuda estrangeira é permitida, mas o Partido do Povo Dinamarquês recusou a ajuda do americano: "Consideramos a iniciativa irrelevante." Os Democratas Suecos também declinaram o convite. Já na Holanda, a ajuda estrangeira é admissível, mas o governo prometeu proibir o financiamento estrangeiro.

Segundo o Guardian, quando as eleições se realizarem em maio de 2019, Bannon estima que terá gasto no projeto entre 5 a 15 milhões de dólares americanos (de 4,4 a 13,1 milhões de euros). Não há outros apoiantes financeiros conhecidos para a sua operação, embora o ideólogo extremista tenha repetidamente referido outros doadores não identificados que estão "bastante interessados no que acontece na Europa". Questionado recentemente sobre se algum desses doadores era russo, Bannon respondeu apenas: "Todos são europeus", disse ele. "E eu."

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