Le Pen pode ser eleita em feudo da esquerda desde 1986

Primeira volta das regionais é este domingo. Eleições são o último escrutínio no país antes das presidenciais de 2017

As eleições regionais de domingo são o último escrutínio em França antes das presidenciais de 2017, nas quais os eleitores farão uma avaliação do governo socialista e François Hollande jogará o seu futuro político após cinco anos no Palácio do Eliseu.

No domingo o partido de extrema-direita Frente Nacional poderá impor-se com bons resultados e apesar de o seu fundador, Jean-Marie Le Pen, não ser candidato, a filha e a neta têm fortes hipóteses. A primeira, Marine Le Pen, que lidera a formação política desde 2011, poderá inclusivamente ser eleita em Nord-Pas-de-Calais-Picardie, um feudo da esquerda desde 1986, segundo os media franceses.

Três sondagens publicadas desde o dia 15 deste mês dão a Le Pen filha o primeiro lugar nas intenções de voto na votação para aquele Conselho Regional. Um inquérito de opinião do Ipsos deu-lhe na primeira volta 40%, um outro do OpinionWay deu-lhe 36,5% e um outro do BVA atribuiu-lhe 42%. Numa segunda volta, a realizar no dia 13, a líder da Frente Nacional também sairia vencedora.

Face à possibilidade de vitória, dois jornais regionais - La Voix du Nord e Nord Eclair - fizeram ontem capa contra Le Pen. "Porque uma vitória da Frente Nacional nos inquieta", escreveram, questionando se a região tem mesmo alguma necessidade de votar na extrema-direita. Numa reação à tomada de posição das duas publicações, Le Pen, entrevistada ontem pela RTL, classificou-a como "escandalosa". A líder da Frente Nacional disse: "Eles fizeram duas páginas hoje, farão duas páginas amanhã também, porque é um folheto do Partido Socialista." Afirmando não estar surpreendida, a eurodeputada disse tratar-se de "uma contrapartida pelos 9 milhões de subsídios que receberam do Conselho Regional socialista durante esta legislatura". E prometeu cortar tais apoios se for eleita.

Na primeira volta das regionais, a esquerda apresenta-se desunida: apesar do referendo de outubro, o PS não conseguiu convencer toda a esquerda a candidatar-se junta contra a ameaça que diz representar a Frente Nacional. À direita, Os Republicanos de Nicolas Sarkozy apresentam-se unidos com os centristas da UDI em todas as regiões que estão em jogo. P.V.

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