Labour admite segundo referendo no seu programa para as europeias

O partido de Jeremy Corbyn, que lança esta quinta-feira a campanha para as europeias, admite no seu programa eleitoral a hipótese de um novo voto sobre o dossiê do Brexit

O Labour publicou esta quinta-feira o seu manifesto de campanha para as eleições europeias de 23 de maio, em que o Reino Unido vai ter que participar depois de o Brexit ter sido adiado. Pelo menos até 31 de outubro. No documento, assinado pelo líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, o partido deixa em aberta a hipótese de um segundo referendo sobre o Brexit.

"O Labour vai continuar a opor-se ao mau acordo conseguido pelo governo e a um No Deal Brexit desastroso. Se não conseguirmos chegar a um acordo, nas linhas do nosso plano alternativo, se não houver eleições antecipadas, o Labour apoia a opção de um voto popular", lê-se no programa eleitoral dos trabalhistas, disponível no site do partido.

Corbyn sempre resistiu a apoiar um novo voto sobre o Brexit e só muito pressionado pelo partido tem por vezes admitido esse cenário. Alguns deputados trabalhistas que defendiam um segundo referendo até saíram do Labour, em protesto, formando depois o Grupo Independente, com alguns dissidentes conservadores. Estes deram origem ao partido Change UK!

Na sua mensagem, Corbyn dirige-se tanto a quem votou pelo Brexit (52%), como quem votou contra o Brexit (48%), no referendo de 23 de junho de 2016. "A nossa política tem que mudar", escreveu, no memorando. Corbyn, que na quarta-feira disse a Theresa May para aprender com Jürgen Klopp, treinador do Liverpool, "como obter um bom resultado na Europa", sublinhou que "o Labour tem as políticas necessárias para trazer a mudança ao país" e "irá trabalhar com toda a Europa para fazer face aos desafios que o nosso continente enfrenta".

No discurso de lançamento da campanha dos trabalhistas, esta quinta-feira de manhã, Corbyn constatou a divisão que todo o debate do Brexit tem causado no Reino Unido. "A verdadeira divisão não é entre as pessoas que votaram para ficar ou para sair. É entre os muitos e os poucos. Quer se viva nas zonas que votaram Remain, quer nas zonas que votaram Leave, os problemas com que as pessoas se debatem são praticamente os mesmos". Respondendo aos jornalistas, Corbyn disse, segundo avança o Guardian, que um segundo referendo sobre o Brexit poderia ser um "processo de cura".

Numa altura em que May continua a tentar tranquilizar os rebeldes do seu Partido Conservador, numa altura em que tanto ela como Corbyn dizem querer voltar às negociações sobre um acordo alternativo, os media britânicos noticiam que a primeira-ministra tenciona levar o seu acordo do Brexit com a UE27 a votos na câmara dos Comuns ainda antes das europeias. Será a quarta vez, depois de o referido acordo já ter sido chumbado três vezes, sobretudo por causa da questão do backstop (mecanismo de salvaguarda destinado a evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda depois de o Reino Unido sair da União Europeia).

As eleições europeias realizam-se, em toda a UE, entre os dias 23 e 26 de maio. Reino Unido e Holanda estão entre os primeiros Estados membros a votar. Logo a 23. Portugal vota no domingo dia 26. Nesse dia, em países como por exemplo a Bélgica e a Espanha ocorrem, em simultâneo, também eleições legislativas, regionais e municipais.

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