Kerry anuncia medidas para travar violência israelo-palestiniana

Acordo anunciado na Jordânia prevê câmaras de videovigilância 24 horas por dia na Esplanada das Mesquitas

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, tem passado os últimos dias num périplo dedicado, entre outras coisas, à procura de soluções para travar a recente vaga de violência entre israelitas e palestinianos. Vindo da Alemanha, antes de ir à Arábia Saudita, o chefe da diplomacia norte-americana anunciou ontem, na Jordânia, medidas que pensa poderem contribuir para acalmar a situação. Entre elas está a instalação de câmaras de videovigilância, 24 horas por dia, na Esplanada das Mesquitas para que Israel possa provar que o status quo não está a ser violado, ou seja, que os colonos judeus não estão a usar o local para orar, como se tem dito e usado como argumento para os recentes ataques.

"Israel continuará a cumprir a sua política em relação à peregrinação religiosa no Monte do Tempo-Haram al-Sharif, incluindo o facto fundamental de que são os muçulmanos que rezam e os não-muçulmanos que visitam", disse John Kerry em Amã, após reunir-se com o líder da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas e com o rei Abdallah II da Jordânia. Monte do Templo para os judeus, Haram al-Sharif para os muçulmanos, este é um dos locais mais disputados do mundo e o terceiro lugar mais sagrado do islão. Ali fica a Mesquita de Al-Aqsa, por exemplo, sendo o local referido pelos media também como Esplanada das Mesquitas.

Segundo o chefe da diplomacia da Administração de Obama, o primeiro-ministro israelita aceitou a sugestão do rei jordano no sentido de assegurar câmaras de videovigilância durante 24 horas em toda a Esplanada das Mesquitas. Ideia que o governante norte-americano considerou "excelente". E garantiu que Benjamin Netanyahu concordou em "respeitar o papel particular" da Jordânia, guardiã dos lugares sagrados, de acordo com o status quo (regras) de 1967. Kerry, citado pela Reuters, precisou que equipas técnicas de todos os lados se iriam reunir em breve para acertar pormenores sobre aquele sistema de videovigilância.

Citado pela mesma agência, um oficial israelita que falou a coberto do anonimato confirmou que "Israel tem todo o interesse em colocar câmaras no Monte do Templo para refutar as alegações de que está a tentar alterar o status quo. Estamos interessados em mostrar que as provocações não vêm do lado israelita". Kerry, que se reuniu com Netanyahu em Berlim na passada quinta-feira, indicou que o líder israelita iria falar depois sobre a videovigilância e que "Israel não tem intenção de dividir o Monte do Templo-Haram al-Sharif e rejeita qualquer tentativa de sugerir exatamente o contrário".

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, acusa Netanyahu de estar a mentir e de estar a tentar provocar uma guerra religiosa naquela zona do mundo. "Netanyahu alterou o status quo da mesquita Al-Aqsa. É por isso que nós e a Jordânia pedimos aos norte-americanos que restabeleçam a situação como era", afirmou ontem Saeb Erekat, o negociador-chefe da Autoridade Palestiniana, no final da reunião Kerry-Abbas. O líder palestiniano pediu "o envio de uma força internacional que proteja o povo palestiniano", noticiou o jornal espanhol 'El Mundo'.

E enquanto os dirigentes palestinianos se reuniam com o secretário de Estado dos EUA na Jordânia, no terreno, na Cisjordânia, junto à zona de fronteira com Israel, um palestiniano de 16 anos foi abatido pela polícia israelita tentar esfaquear um dos agentes. Desde o dia 1 deste mês, a nova onda de violência entre palestinianos e israelitas, que inclui atropelamentos, apedrejamentos, esfaqueamentos, tiros e até tentativas de realizar atentados suicidas, já fez um total de 53 vítimas mortais do lado palestiniano e nove do lado israelita.

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