Karina ou Juliana. Ambas estão ligadas à moda, mas só uma será primeira-dama

Independentemente do resultado da 2.ª volta, haverá de novo uma mulher a ocupar cargo protocolar. Mas, ao contrário da última, a atual presidente Cristina Kirchner, nenhuma das candidatas tem interesse em carreira política

Quando a eleição é na Argentina, a história mostra que é importante olhar não só para o presidente, mas também para a primeira-dama. Afinal, Cristina Kirchner, a mulher que em dezembro deixa a presidência, tinha há oito anos esse título. E mais de três décadas antes, Isabel Perón tinha sido a pioneira no salto para o poder. Mas, ao contrário da mulher de Néstor Kirchner e da de Juan Domingo Perón, que eram politicamente ativas, nem Karina Rabolini nem Juliana Awada têm ambição política. Uma delas torna-se hoje a futura primeira-dama argentina.

A acreditar nas sondagens, Juliana pode já começar a pensar na mudança para a Casa Rosada. Maurício Macri, candidato da aliança opositora Cambiemos (Mudemos) e seu marido desde 2010, está com uma vantagem de 12 pontos percentuais. Mas as sondagens falharam a 25 de outubro, quando chegaram a prever uma vitória à primeira volta do seu adversário, Daniel Scioli, apoiado pela atual presidente e casado com Karina Rabolini. Na noite eleitoral, o candidato do Partido Justicialista ganhou por menos de três pontos.

Juliana e Karina podem ser adversárias pelo casamento, mas em comum têm uma carreira ligada ao setor da moda. A mulher de Macri lidera a equipa de design na empresa têxtil criada pelos pais nos anos 1960, que leva o apelido da família: Awada. Já a de Scioli tinha 14 anos quando começou a trabalhar como modelo e tem hoje uma marca com o seu nome que vende, entre outras coisas, cosméticos e óculos de sol.

Ainda antes de se casar com Macri, antigo presidente do clube Boca Juniors que na altura já era chefe de governo da Cidade de Buenos Aires, Juliana Awada admitiu numa entrevista ao Clarín que a política não era para si: "Interessa-me apenas enquanto cidadã." Mais recentemente, à revista Gente, reconheceu que no início da relação lhe assustava o facto de Macri ser político. "Mas, depois de seis anos a ver o amor que dedica para garantir que as coisas saem bem, fico mais apaixonada e muito orgulhosa", acrescentou.

Após anos a lutar contra a infertilidade, e sabendo o que passam as mulheres na mesma situação, Karina Rabolini promoveu e apoiou a aprovação da lei da fertilização assistida na província de Buenos Aires (mais tarde alargada a nível nacional). Mas a mulher de Scioli recusou várias vezes convites para ser candidata a cargos públicos.

O seu papel na política é, como a própria diz, o de "acompanhar" o marido, um ex-campeão de motonáutica que foi vice-presidente de Néstor Kirchner e é desde 2003 governador da província de Buenos Aires. "Ela não quer ser Evita, quer ser Máxima Zorreguieta", disse ao Clarín um dirigente político local, referindo-se à rainha holandesa, de origem argentina. Evita, a segunda mulher de Perón, chegou a ser candidata a vice-presidente mas acabou por morrer de cancro - foi a terceira mulher do fundador do peronismo, Isabel, que foi eleita para esse cargo, que subiu ao poder após a morte do marido, em 1974.

Educada para ser princesa

Karina, que nasceu há 48 anos, foi educada pela mãe para ser uma princesa, escreveu o citado jornal argentino, indicando que estudou piano, inglês, dança, datilografia e decoração. Daí que a família não tenha aceitado o romance com Scioli, que tinha fama de playboy e era dez anos mais velho.

A modelo tinha 18 anos quando se casaram pela primeira vez. No final da década de 1990, quando o marido já tinha deixado de lado a carreira na motonáutica (depois de ficar sem o braço direito num acidente) e entrava no mundo da política, divorciaram-se. A empresária viveu então vários anos na Europa, antes de regressar em 2001 à Argentina e reatar com Scioli - que então já tinha sido obrigado a reconhecer uma filha, nascida em 1978. Karina, apesar de ter feito vários tratamentos, nunca conseguiu engravidar.

Por seu lado, Juliana já tinha sido mãe quando se casou com Macri. Filha de um imigrante libanês muçulmano (que nunca incutiu a religião aos filhos), Juliana nasceu em Buenos Aires há 41 anos e cresceu a conhecer o mundo com a mãe, que viajava atrás das melhores coleções de moda para a empresa familiar.

Aos 23 anos, casou-se pela primeira vez, mas foi da relação de dez anos com um conde belga (com quem nunca chegou a casar-se) que nasceu Viviana. Estava separada quando começou a sair com Macri, um conhecido do irmão. Ele vinha de dois casamentos falhados, tinha três filhos e era 15 anos mais velho. "Não é que me tenha apaixonado à primeira vista. Mas quando começámos a sair, senti imediatamente que era o amor da minha vida", admitiu à revista Gente. Casaram-se em 2010 e um ano depois nasceu Antonia.

É a primeira vez que os argentinos decidem a eleição do presidente numa segunda volta. O debate histórico entre os dois candidatos acabou por ficar marcado por uma foto de um beijo acalorado de Macri e Juliana, no palco. "Estava tão feliz e tão orgulhosa que me saiu um beijo efusivo, mas somos assim carinhosos e demonstrativos", reconheceu a empresária à Cadena 3.

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