K-Pop faz sucesso nos EUA indiferente a tensão política

Grupo sul-coreano é primeiro no top de álbuns da Billboard. Moon Jaen-in pode servir de intermediário entre Kim e Trump

As negociações políticas entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o eventual papel de intermediário do sul-coreano, Moon Jaen-in, não afetam o ARMY, ou seja, o "exército". Isso não significa que o diálogo esteja a falhar e que a guerra seja iminente na região. As redes sociais são a única arma deste ARMY, nome pelo qual são conhecidos os fãs do grupo BTS, o primeiro de K-Pop (estilo de música criado na Coreia do Sul nos anos 1990 que é hoje uma indústria de milhões de dólares) a chegar ao topo das tabelas de álbuns mais vendidos nos EUA.

Jin, Suga, J-Hope, Rap Monster, Jimin, V e Jungkook são os sete jovens que dão voz (em coreano ou japonês, com algumas palavras em inglês pelo meio) e corpo aos BTS, cujo álbum Love Yourself: Tear chegou este fim de semana a número 1 no top da Billboard. Os sete rapazes fizeram a sua estreia em 2013 e aos poucos têm vindo a conquistar o mercado internacional, tendo ganhado pelo segundo ano consecutivo o prémio de Top Social Artist da Billboard, atuando na cerimónia nos EUA em abril.

O grupo, que mistura música eletrónica com pop, hip-hop e R&B já esteve em digressão pelo país do Tio Sam, esgotando vários espetáculos. E as 14 datas dos próximos concertos nos EUA - incluindo quatro concertos na Staples Arena, em Los Angeles, com capacidade para 21 mil pessoas - também já estão esgotados. A digressão mundial passará também pelo Reino Unido, Holanda, Alemanha, França e Canadá.

"Parabéns aos sete rapazes amantes da música e aos seus apoiantes, ARMY. As músicas, danças, sonhos e entusiasmo da BTS energizaram e deram forças aos jovens em todo o mundo", escreveu o presidente sul-coreano Moon Jaen--in no Twitter, onde tem uma fração dos 26 milhões de seguidores do grupo. O BTS foi um dos grandes ausentes do concerto que grupos sul-coreanos deram em Pyongyang, a 1 de abril, tendo na altura sido citados problemas de agenda. A diplomacia do K-Pop surgiu depois do sucesso da participação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de Inverno, que decorreram em fevereiro na Coreia do Sul. Desde então, os líderes de ambos os países já estiveram reunidos em duas ocasiões - a última este sábado.

Cimeira avança?

Os 26 milhões de seguidores do BTS no Twitter são metade dos seguidores do presidente norte-americano Donald Trump, que depois de ter cancelado a cimeira com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para Singapura, a 12 de junho, parece ter mudado de discurso. "A nossa equipa dos EUA chegou à Coreia do Norte para preparar a cimeira entre mim e Kim Jong-un. Acredito verdadeiramente que a Coreia do Norte tem um potencial incrível e vai ser uma grande nação económica e financeira um dia. Kim Jong-Un concorda comigo nisto. Vai acontecer!", escreveu no domingo à noite.

Mais cedo, o Departamento de Estado tinha anunciado que uma delegação norte-americana estava reunida com responsáveis norte--coreanos em Panmunhon, uma aldeia na zona desmilitarizada que divide as duas Coreias (teoricamente ainda em guerra, 65 anos após o fim do conflito). "Nós continuamos a preparar um encontro entre o presidente e o líder norte-coreano", indicou a porta-voz da diplomacia dos EUA, Heather Nauert.

A cimeira foi cancelada por Trump no dia em que Kim destruiu um dos locais onde realizava testes nucleares, depois de Pyongyang ter considerado "estúpidas" as declarações de vice-presidente Mike Pence, que falou na hipótese de um cenário "à Líbia" na Coreia do Norte. Entretanto, Kim encontrou-se neste fim de semana com Moon, que não afasta a hipótese de ir também à cimeira de Singapura.

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