Juncker pede à Europa para não ceder a pressões dos EUA

Presidente da Comissão Europeia defende que ajuda humanitária e ao desenvolvimento integrem o conceito de despesas em defesa, de modo a chegar-se aos 2% do PIB de cada membro da NATO, como pedem os EUA.

"Não gosto que os nossos amigos americanos reduzam o conceito de segurança aos aspetos militares", declarou Jean-Claude Juncker numa intervenção à margem da Conferência de Segurança de Munique, que se inicia sexta-feira.

Para o presidente da Comissão Europeia, "aquilo que a Europa está a fazer em termos de defesa, ajuda ao desenvolvimento e ajuda humanitária, a comparação com os Estados Unidos fica diferente. A política moderna não pode ser apenas sobre a despesa em defesa". Assim, para Juncker, os aspectos do desenvolvimento e da ação humanitária devem ser integradas no conceito de despesa com a defesa, o que faria subir para muito mais de 2% do PIB de cada Estado membro da Aliança Atlântica gasto em despesas de segurança.

Os EUA insistem que todos os membros da NATO canalizem, pelo menos, 2% do PIB para os orçamentos da defesa. Washington suporta 70% das despesas da Aliança Atlântica.

Juncker comentava as palavras do secretário da Defesa dos EUA, Jim Mattis, proferidas numa reunião da NATO realizada quarta-feira em Bruxelas, em que afirmou que Washington "não pode continuar a preocupar-se mais com a segurança das crianças europeias do que os próprios europeus". Para o presidente da Comissão, "esta é uma mensagem de muitos anos dos EUA, e eu sempre me recusei a ser arrastado por ela". Segundo Juncker, se a Alemanha concedesse 2% do seu PIB para despesas em defesa, em vez dos atuais 1,22%, "não teria um superávit orçamental".

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