Juncker diz que não aceitaria cargo de Durão Barroso no Goldman Sachs

Em entrevista na France 2, atual presidente da Comissão garante que Barroso cumpriu procedimentos, mas que não teria feito o mesmo

Foi a última pergunta de uma entrevista de cerca de sete minutos, em que o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, respondeu a várias questões sobre o Brexit, a Turquia e até as eleições americanas.

Convidado no programa Téle Matin, da estação France 2, Juncker resistiu a responder ao jornalista, que lhe perguntava se estava "chocado" com a decisão de Durão Barroso de aceitar o cargo de presidente não-executivo do Goldman Sachs International. O presidente da Comissão Europeia começou por dizer que Barroso cumpriu todos os procedimentos necessários, mas perante a insistência do repórter, admitiu de forma concisa: "não o teria feito".

(Veja no vídeo a resposta a partir dos 7:15)

Durão Barroso tem sido alvo de críticas a nível nacional e internacional; os franceses têm sido particularmente críticos, nomeadamente o secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, Harlem Desir, que disse que a "escandalosa" escolha de Barroso levanta questões sobre os conflitos de interesses na União Europeia. O próprio presidente francês, François Hollande, considerou "moralmente inaceitável" o emprego do antigo presidente da Comissão no banco internacional: "Não fui eu que escolhi Barroso para presidente da Comissão da União Europeia. Ele esteve dez anos à cabeça da Comissão. A Goldman Sachs esteve no centro da crise dos subprimes e ajudou o Governo grego a maquilhar as contas da Grécia. Moralmente é inaceitável", disse Hollande.

Na mesma entrevista, Juncker admitiu que serão necessários "vários meses" até que se iniciem as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, ainda que ele preferisse que fossem imediatas, e confirmou que os britânicos irão perder acesso sem restrições ao mercado único da UE se não aceitarem a liberdade de movimentos dos trabalhadores.

Já sobre a Turquia, o presidente da Comissão Europeia disse que o país não estará em condições de se tornar membro da UE em breve, sobretudo se reintroduzir a pena de morte na sequência do golpe de estado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG