Jovem de 19 anos violada por quatro homens morre na Índia

Vítima não resistiu aos ferimentos, duas semanas após ser atacada em Hathras. Um caso que está a ser comparado ao da mulher violada num autocarro em Deli em 2012.

Uma jovem indiana de 19 anos, que terá sido violada por quatro homens a 14 de setembro, não resistiu aos ferimentos e morreu esta terça-feira no hospital. O caso está a causar indignação na Índia, oito anos após a violação coletiva de outra jovem num autocarro em Deli ter levado à alteração da lei.

O ataque mais recente ocorreu em Hathras, no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, e a vítima é uma mulher dalit (anteriormente classificado como "intocável", a casta mais baixa no sistema hindu). Tinha ido apanhar alimentos para os animais quando foi arrastada pelo pescoço para um campo onde foi atacada, sendo estrangulada e tendo tido a sua língua cortada. Os agressores, que foram detidos, são de castas superiores.

Inicialmente as autoridades tinham acusado um homem de tentativa de homicídio, só descobrindo que a vítima tinha sido violada quando esta prestou declarações. Detiveram depois os outros três homens. Todos foram acusados de violação coletiva.

"Queremos justiça para ela. Os acusados não devem ser poupados. Têm que ser enforcados", disse o irmão aos media indianos. A família alegou que o principal arguido sempre assediou dalits na região.

O caso está a causar revolta nas redes sociais, sendo o mais falado no Twitter na Índia, com os cidadãos a pedir justiça. Protestos ocorreram à porta do hospital de Deli, para onde a vítima tinha sido transferida.

Priyanka Gandhi Vadra, secretária-geral responsável pela região de Uttar Pradesh no comité nacional do Partido do Congresso, atacou o governo local pela deterioração da lei na região. "A lei e a ordem no Uttar Pradesh deterioraram-se em grande medida. Não há qualquer aparência de segurança para as mulheres. Os criminosos estão a cometer os seus crimes abertamente", disse, apontando diretamente o dedo ao atual chefe do governo de Uttar Pradesh, Yogi Adityanath: "Você é responsável pela segurança das mulheres".

"A morte de uma rapariga de 19 anos de Hathras por causa de uma violação é mais uma lembrança das falhas da lei e no sistema em Uttar Pradesh. Durante quanto tempo vão as mulheres continuar a enfrentar um ambiente inseguro sem apoio do sistema?", escreveu a deputada Priyanka Chaturvedi no Twitter.

O caso está a ser comparado ao de 2012. Uma jovem estudante de fisioterapia de 23 anos, que ficou conhecida como Nirbhaya (a destemida) porque a lei indiana proíbe divulgar o nome das vítimas, foi atacada por seis homens num autocarro e acabaria por morrer duas semanas depois.

Quatro dos agressores foram enforcados já este ano pelo crime, sendo que um quinto morreu na prisão num aparente suicídio e o sexto era menor, pelo que foi condenado a apenas três anos num reformatório. O caso de 2012 levou à alteração das leis -- incluindo pela primeira vez, por exemplo, os casos de violação dentro do casamento --, mas a violência contra as mulheres continua.

Em média, segundo os dados de 2018, 91 mulheres são violadas todos os dias no país (há quase uma queixa por violação a cada 15 minutos), sendo que muitos crimes ficam por denunciar.

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