Jovem branco ri para índio velho: o processo judicial de 250 milhões

Em janeiro foi um vídeo "viral". Depois tornou-se num debate político. A cena mostra um jovem católico com um boné de Trump a rir, cara a cara como um chefe Omaha. O jovem acusa agora o Washington Post de "McCarthyismo". E pede uma indemnização

A cena será vista, seguramente, pelos historiadores futuros, quando tentarem decifrar os dias de hoje. Em Washington DC, em frente do Memorial a Lincoln - com a icónica estátua em mármore de quase seis metros de altura do 16.º presidente americano sentado - decorriam várias manifestações, no dia 18 de janeiro. Uma de Hebreus Israelitas, afro-americanos barbudos. Outra de índios, uma Marcha dos Povos Indígenas. E uma terceira de adolescentes do Kentucky, católicos pró-vida, anti-aborto.

Um dos miúdos, Nicholas Sandmann, usa um chapéu vermelho com o slogan da campanha de Trump: Make America Great Again. Durante longos segundos, o vídeo mostra a sua cara sorridente (irónica ou desafiadora?) a poucos centímetros da cara séria de Nathan Phillips, ancião da tribo Omaha, que canta e toca um tambor. Os outros miúdos riem-se e gravam tudo em telemóveis.

Agora, depois de um longo debate sobre o significado político daquela cena, nos meios de comunicação social mais importantes, Nicholas Sandmann, o rapaz do Kentucky, resolveu processar o Washington Post. Exige uma indemnização de 250 milhões de dólares. Os seus advogados, citados pela CNN, acusam o jornal de intimidação "porque ele era o estudante católico branco usando um boné vermelho Make America Great Again".

A denúncia também acusa o Post de pôr em prática uma "forma moderna de McCarthyismo ao concorrer com a CNN e a NBC, entre outros, para reivindicar a liderança de uma multidão de agressores que atacaram, vilipendiaram e ameaçaram Nicholas Sandmann, um aluno de escola secundária inocente".

Uma porta-voz do Washington Post disse à CNN que o jornal está a avaliar o processo e planeia "montar uma defesa vigorosa".

Sandmann já justificou o seu sorriso. "Eu não estava a fazer caretas intencionalmente. Sorri a certa altura porque queria que ele soubesse que eu não ficaria zangado, intimidado ou induzido para me juntar a um confronto maior".

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