Jornalista desaparecido: Trump e Erdogan pressionam Arábia Saudita

Face ao silêncio de Riade sobre o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, os presidentes dos Estados Unidos e da Turquia mostram preocupação.

Donald Trump afirmou estar a seguir o caso "muito seriamente", Recep Tayiip Erdogan diz que não pode manter o silêncio por muito mais tempo: a pressão sobre a casa de Saud aumenta devido ao desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi. Crítico de Riade, o colaborador do Washington Post não mais foi visto desde o momento em que deu entrada no consulado da Arábia Saudita em Istambul, no dia 2.

Segundo informações que correm na Turquia, o jornalista foi assassinado por um grupo enviado por Riade. Outras versões indicam que o jornalista terá sido sequestrado e levado para a Arábia Saudita. Khashoggi trocara a Arábia pelos Estados Unidos em 2017.

Trump, que tem sido um defensor da aliança de Washington com Riade, disse que investigadores norte-americanos estão a trabalhar com a Turquia e a Arábia Saudita para esclarecer o desaparecimento do jornalista.

"Vamos estudar isto muito, muito a sério. Eu não gosto nada disto. Não há cidadãos norte-americanos envolvidos, mas isso não importa neste caso. É um precedente terrível, terrível ", disse Trump à Fox.

Mais tarde, em declarações à imprensa, o presidente afirmou que não vê motivos para bloquear os investimentos sauditas nos EUA. Para Trump, o país do Golfo canalizaria os investimentos na China ou na Rússia.

Já o presidente turco mostrou-se cético quanto à versão, avançada por Riade, de que as câmaras de vigilância do consulado não estavam a funcionar.

"Se um mosquito sair do consulado as câmaras vão intercetá-lo. Não podemos manter-nos em silêncio"

"Se um mosquito sair [do consulado] as suas câmaras vão intercetá-lo. Este incidente teve lugar no nosso país. Não podemos manter-nos em silêncio", afirmou Erdogan aos jornalistas a bordo do avião que o levava a Budapeste.

De acordo com o Washington Post, os serviços secretos dos EUA estavam a par do plano saudita, ordenado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, de atrair Jamal Khashoggi para uma armadilha para prendê-lo.

Um porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino, negou que Washington tivesse informações antecipadas sobre o plano contra o jornalista.

Khashoggi dirigiu-se ao consulado para levantar um comprovativo do seu divórcio para poder casar-se com a noiva, a turca Hatice Cengiz.

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