João Lourenço promete renovação e luta contra corrupção em Angola

Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos chefes de Estado estrangeiros que assistiram à cerimónia de tomada de posse do terceiro presidente angolano desde a independência, em 1975. Presidente português recebeu fortes aplausos.

Num discurso que durou 45 minutos, João Lourenço prometeu que o combate ao crime económico e à corrupção será uma "importante frente de luta" e a "ter seriamente em conta" nos próximos cinco anos do seu mandato. O presidente angolano tomou ontem posse em Luanda diante de milhares de pessoas, vários chefes de Estado convidados, entre eles o português Marcelo Rebelo de Sousa, e na presença de José Eduardo dos Santos, que agora deixa a presidência após 38 anos no poder. "O nosso lema será renovação e transformação na continuidade. Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal", explicou o novo chefe do Estado angolano.

Sob um céu carregado, João Lourenço surgiu de fato escuro e gravata cor de vinho, ao lado da mulher, Ana Dias Lourenço, de vestido azul. A nova primeira-dama, de 60 anos, foi governadora de Angola para o Banco Mundial e ministra do Planeamento. "Neste novo ciclo político que hoje se inicia, legitimado nas urnas, a Constituição será a nossa bússola de orientação e as leis o nosso critério de decisão", apontou o novo presidente, de 63 anos.

Numa aparente crítica aos partidos da oposição, que questionam os resultados das eleições gerais de 23 de agosto, João Lourenço afirmou: "O interesse nacional tem de estar acima dos interesses particulares ou de grupo, para que prevaleça a defesa do bem comum".

João Lourenço, general na reserva, foi ontem investido, pelas 12:15, no cargo de presidente da República, o terceiro que Angola conhece desde a independência, em novembro de 1975. O ato decorreu no Memorial António Agostinho Neto (assim chamado em homenagem ao primeiro chefe do Estado angolano), em Luanda, no mesmo local e dia em que José Eduardo dos Santos foi investido pela última vez como presidente em 2012.

Já investido, João Lourenço deslocou-se ao local onde se encontrava o presidente cessante, José Eduardo dos Santos, para este lhe colocar o colar presidencial e lhe ceder o lugar, o que aconteceu pouco depois. A cerimónia terminou com o desfile dos três ramos das Forças Armadas Angolanas, seguindo-se o hino nacional e disparos de 21 salvas de canhão.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder há 42 anos), venceu as eleições de 23 de agosto com 61% dos votos, à frente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com 26,67%, seguindo-se a coligação de partidos Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), com 9,44%. A oposição contestou os resultados junto do Tribunal Constitucional, mas os recursos foram chumbados.

Marcelo aplaudido

Em Luanda desde segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu a oportunidade de ir a banhos junto à ilha de Luanda, de tirar selfies com jovens angolanos "eufóricos" e de se encontrar com José Eduardo dos Santos. Uma agenda preenchida que o Jornal de Angola registou num artigo em que refere ainda a visita do presidente à escola portuguesa onde "voltou a tirar fotografias e jogou uma improvisada partida de basquetebol, alinhando numa das equipas". O jornal destaca ainda o facto de Marcelo ter sido o primeiro chefe do Estado a felicitar João Lourenço pela vitória nas eleições de 23 de agosto, ainda antes do final da contagem dos votos.

No discurso de posse, o novo presidente angolano, terá, segundo a Lusa, deixado Portugal de fora da da lista de principais parceiros, sublinhando que Angola considerará todos que "respeitem" a soberania nacional.

Isso não impediu Marcelo de voltar a estar em destaque, na cerimónia, tendo recebido fortes aplausos. Além de palmas, o presidente português foi saudado com gritos de apoio e assobios. Marcelo levantou-se e agradeceu.

Com Lusa

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