Jihadistas mortos por força treinada pela GNR

Operação no Burquina Faso matou 47 elementos de grupo aliado da Al-Qaeda. GNR participa na formação das forças de elite de seis países do Sahel.

Duas bases destruídas, 47 combatentes e dois polícias do Burquina Faso morreram durante uma grande operação no noroeste daquele país, junto à fronteira com o Mali. Portugal contribuiu, através de elementos da Guarda Nacional Republicana, que têm dado formação à equipa de elite que realizou a missão.

"Na sequência de uma operação antiterrorista realizada durante dias em Kossi (província), o GARSI (força de intervenção rápida) lançou na terça-feira um ataque contra duas bases terroristas na localidade de Wariberi", informaram os militares burquineses, em comunicado.

"Este ataque surpresa causou enormes perdas do lado inimigo", com 47 combatentes mortos, afirmou, acrescentando que o exército destruiu ou apreendeu "grandes quantidades" de material. Já no comunicado da polícia também não se pormenoriza que armamento foi apreendido, apenas que 21 motos foram apresadas.

Dois elementos da força de intervenção rápida morreram e outros três ficaram feridos na operação.

Na véspera, dois soldados e cinco voluntários da defesa civil tinham sido mortos durante uma emboscada a uma patrulha militar no norte do país. O ataque foi reivindicado pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM), a principal formação jihadista na região do Sahel, aliada à Al-Qaeda.

No dia 11, os jihadistas mataram oito soldados burquineses durante um ataque perto da fronteira com o Níger, na província de Yagha.

GNR em permanência

A GNR, que faz parte do projeto desde 2017, tem neste momento dois oficiais no terreno e, como tal, a formar a equipa burquinesa que interveio junto da fronteira com o Mali. Ambos são coronéis da Guarda e um coordena o GARSI no Mali e o outro é o vice-coordenador no Burquina Faso.

Além disso, há formações periódicas, para as quais se deslocam de Portugal elementos especializados. Em agosto está prevista uma formação no Mali e no Burquina Faso que conta com a participação de atiradores especiais do Grupo de Intervenção de Operações Especiais (GIOE) da força portuguesa, bem como de uma equipa do Centro de Inativação de Engenhos Explosivos (EOD), avançou fonte oficial da GNR ao DN.

Também está prevista a deslocação do comandante do GIOE ao Senegal e ao Burquina Faso em missão de mentoria.

Seis países em luta contra o islamismo

O Burquina Faso faz parte de um esforço regional para combater uma insurreição islamista, juntamente com os vizinhos Mali e Níger, Mauritânia, Chade e Senegal na faixa que atravessa o continente africano, o chamado Sahel.

O GARSI, que conta com cerca de 800 elementos de elite naturais desses países, é o resultado de um programa com fundos europeus (mais de 66 milhões de euros) e que tem recebido treino do Grupo de Intervenção das Operações Especiais da GNR, da Guardia Civil (Espanha), da Gendarmerie Nacional (França) e da Guarda dei Carabinieri (Itália).

O projeto arrancou em 2016 e tem como objetivo a prevenção e o combate ao terrorismo, aos diversos tipos de tráficos ilícitos, bem como à imigração ilegal.

Os militares dos países da África Ocidental, com pouca formação e dotados de meios insuficientes, não conseguiram conter o extremismo islamista apesar da presença da França desde 2013, com cerca de 5 mil militares no Sahel.

De acordo com números da ONU, os ataques jihadistas no Burquina Faso, no Mali e no Níger causaram a morte de quase 4 mil pessoas no ano passado. Cerca de 800 mil pessoas foram deslocadas desde 2015.

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