'Jihadista' francês reivindica ataques numa mensagem áudio

Elemento será próximo de Mohamed Merah, um radical que em março de 2012 matou a tiro sete pessoas numa escola judia em Toulouse

Um 'jihadista' francês identificado como Fabien Clain gravou uma mensagem áudio, publicada na Internet, em que reivindica em nome do grupo extremista Estado Islâmico os ataques da passada sexta-feira em Paris, referiu hoje uma fonte próxima da investigação.

Segundo a agência francesa AFP, este homem de 35 anos é um elemento próximo de Mohamed Merah, um radical que em março de 2012 matou a tiro sete pessoas - três militares, um professor e três menores - numa escola judia na região de Toulouse (sudoeste de França), antes de ser abatido pela polícia.

Após uma análise pormenorizada ao registo áudio em francês, divulgado um dia depois dos ataques que fizeram pelo menos 129 mortos, os serviços especializados concluíram que se tratava da voz de Fabien Clain, asseguraram as mesmas fontes.

Fabien Clain e o seu irmão Jean-Michel cresceram em Toulouse e são muçulmanos convertidos que foram radicalizados no início dos anos 2000.

Eles frequentaram uma comunidade islamita liderada por um francês com origens sírias, Olivier Corel, elemento mais velho que era encarado como um guia espiritual.

Veterano das fileiras islamitas francesas, Fabien Clain, conhecido como Omar, foi acusado de ser um dos organizadores do recrutamento de islamitas para o Iraque, para combater contra o exército norte-americano. Seria condenado em julho de 2009 a cinco anos de prisão.

Durante a sua detenção, os serviços penitenciários apreenderam uma carta endereçada para Mohamed Merah, que terá conhecido alguns anos antes. Após a sua libertação, Fabien Clain viaja para a Síria, na companhia de vários membros do movimento islamita radical de Toulouse, onde integra o grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI). A partir do território sírio, Fabien Clain mantém contactos com os aspirantes a 'jihadistas' em França.

Em abril deste ano, é considerado como um dos instigadores de um ataque frustrado contra uma igreja em Villejuif, na região de Paris. O atacante, o jovem argelino Sid Ahmed Ghlam, feriu-se acidentalmente com um tiro numa perna.

O grupo radical sunita Estado Islâmico reivindicou no sábado os atentados perpetrados na sexta-feira em Paris, que causaram pelo menos 129 mortos, entre os quais dois portugueses, e mais de 300 feridos.

Os ataques, perpetrados por pelo menos sete terroristas, ocorreram em vários locais da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o Stade de France, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.

A França decretou o estado de emergência e restabeleceu o controlo de fronteiras na sequência daquilo que o Presidente François Hollande classificou como "ataques terroristas sem precedentes no país".

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