Itália declara estado de emergência em Veneza

O episódio de maré alta (acqua alta) registado na terça e na quarta-feira foi o mais grave em mais de 50 anos. 80% de Veneza ficou inundada. O primeiro-ministro italiano anunciou ajuda a todos os afetados pelas cheias.

"É um golpe no coração do nosso país", disse o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, durante a visita a Veneza, durante a qual viu os danos provocados pelas inundações, as mais graves no último meio século. Com a maré a atingir níveis nunca vistos desde 1966, na terça e na quarta-feira, 80% da cidade histórica ficou inundada.

Perante este cenário, o governo vai declarar o estado de emergência em Veneza, informou esta quinta-feira Giuseppe Conte. Uma declaração que possibilita a libertação de fundos para fazer frente aos avultados danos do património histórico "não só de Itália, mas da humanidade", afirmou o primeiro-ministro.

Conte anunciou, para já, uma linha de financiamento até cinco mil euros para os particulares e 20 mil euros para os comerciantes. Para quem tem danos mais avultados estes serão quantificados através de avaliações técnicas, explicou o chefe de Estado."Ninguém ficará sozinho", garantiu Conte.

Sistema de diques móveis concluído em 2021, promete governo

O primeiro-ministro anunciou ainda uma reunião interministerial para dia 26 de novembro, com o objetivo de debater os "problemas estruturais de Veneza", nomeadamente os cruzeiros e o projeto Mose (Módulo Experimental Eletromecânico), que consiste num sistema de diques móveis composto por 78 comportas submersas para proteger a cidade histórica de inundações.

Envolto em polémica devido aos custos elevados e aos escândalos de corrupção, o projeto foi iniciado em 2003. Agora, a ministra das Infraestruturas italiana garante que o Mose irá ficar concluído em 2021. "Existem atrasos, mas 93% está concluído", assegurou Paola de Micheli.

A cidade viu a água atingir os 1,87 metros inundando ruas, praças, casas, lojas. A Basílica de São Marcos foi um dos monumentos históricos afetados e com danos avultados, conforme explicou o curador Pierpaolo Campostrini. "Estamos à beira do Apocalipse", afirmou enquanto recordava a noite de terça para quarta-feira. "Quando a água atingiu os 1,65 metros, entrou na basílica e alagou o pavimento, partindo as janelas e entrou na cripta."

De acordo com o responsável, o "perigo não é tanto os danos causados nos bens que estão no interior, mas a água pode criar problemas permanentes nas colunas que sustentam a basílica".

A acqua alta de terça e quarta-feira foi o registo mais grave dos últimos 53 anos, apenas superado pela subida das águas que ocorreu em 1966, quando foram atingidos os 1,94 metros - em média, a maré alta na lagoa de Veneza não excede os 80 cm. Quando passa dos 90 cm cerca de 2% da cidade já é afetada, mas com mais 50 cm acima disso um terço da cidade fica inundado.

Desta vez, a maré atingiu uma dimensão extraordinária, ficando apenas a 7 cm do recorde de 1966, mas com as previsões da meteorologia de mais chuva e vento para os próximos dias, a expectativa de que a situação possa ainda agravar-se neste final de semana não deixa os venezianos descansados. As marés excecionais destes dias deixaram duas vítimas mortais.

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