Israel rejeita resolução da UNESCO sobre Palestina

Ministério israelita comparou UNESCO a "pirómanos que querem pegar fogo aos lugares mais sensíveis da humanidade"

Israel rejeitou a resolução aprovada na quarta-feira pelo Conselho Executivo da UNESCO sobre a Palestina que critica a política israelita em Jerusalém.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, Emanuel Nahson, afirmou, em comunicado, que Israel "rejeita totalmente a decisão tomada sobre 'Palestina ocupada'" e assegurou que esta resolução "pretende transformar o conflito palestino-israelita num confronto religioso".

Nahson afirmou que o Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) "juntou-se aos pirómanos que querem pegar fogo aos lugares mais sensíveis da humanidade", numa alusão à Esplanada das Mesquitas, que alberga a Mesquita al-Aqsa, o terceiro lugar sagrado para o islão e o primeiro para o judaísmo, sobre o qual se debruça a resolução.

A emblemática Cúpula da Rocha, que aí se situa, encontra-se no rochedo onde o profeta Maomé terá subido aos céus no seu jumento alado, al-Buraq. Muito próxima, está a Mesquita al-Aqsa, que frequentemente dá nome à esplanada.

Foi neste local que o rei Salomão erigiu o seu tempo, do qual não resta qualquer vestígio, e as enormes pedras do Muro das Lamentações, abaixo, são o último vestígio do segundo templo construído vários séculos depois pelo rei Herodes e destruído no ano 70 d.C. pelos romanos.

A resolução, aprovada na quarta-feira, apresentada pela Argélia, Egito, Kuwait, Marrocos, Tunísia e Emirados Árabes Unidos, condena as ações israelitas na zona, incluindo a restrição do acesso dos muçulmanos ao local durante as celebrações do Eid, no mês passado, justificada motivos de segurança.

A resolução foi apoiada por 26 dos 58 países do conselho executivo da UNESCO, enquanto 25 membros se abstiveram.

Seis países manifestaram-se contra: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Holanda, República Checa e Estónia, sendo que um membro estava ausente.

Nahson afirmou que a decisão tomada pelo conselho do organismo internacional vem "inflamar a região" e que os autores da proposta usaram "irresponsavelmente a retórica e distorceram a história".

Na sua opinião, a resolução representa um passo em frente para "as intenções palestinianas de reescrever a história e distorcer o Património da Humanidade nesta parte do mundo", e insistiu que "os laços profundos entre os judeus e os seus lugares sagrados em Jerusalém são inegáveis e nenhuma decisão da UNESCO pode mudar isso".

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