Islândia inicia negociações para formar governo

Os números finais das eleições antecipadas de sábado apontam para um resultado de impasse

A Islândia iniciou hoje uma intensa fase de negociação política, após as legislativas antecipadas de sábado, das quais não resultou uma maioria parlamentar, apesar do avanço do partido antissistema dos "Piratas" contra a direita governamental.

Os números finais das eleições antecipadas de sábado apontam para um resultado de impasse, abrindo um caminho para difíceis negociações que conduzam ao próximo governo na nação-ilha do Atlântico Norte.

O primeiro-ministro, Sigurdur Johannsson, cujo Partido do Progresso (centro-direita) obteve o pior resultado desde há um século, apresentou hoje à tarde a sua demissão ao presidente Gudni Johannesson.

O presidente deve, de seguida, encarregar o líder do Partido da Independência (conservador), Bjarni Benediktsson, ministro das Finanças no governo demissionário, de encontrar uma maioria, visto que foi o partido que ganhou mais assentos no parlamento.

No entanto, Bjarni Benediktsson é um dos 600 islandeses cujo nome aparece nas listas dos papéis do Panamá, documentos divulgados em abril que listam milhares de detentores de contas 'offshore' em todo o mundo.

De acordo com os resultados finais divulgados hoje, a coligação que junta o Partido da Independência e o Partido Progressista obteve um total de 29 lugares no Althingi (parlamento) de 63 membros, uma queda de nove lugares.

Os "Piratas", um partido antissistema, e seus três aliados de centro-esquerda ganharam 27 lugares, aquém de uma maioria na legislatura.

Os "Piratas" ficaram com 10 assentos, mais do que triplicando a sua representação no parlamento cessante.

O Movimento Esquerda-Verde também obteve 10 lugares, o Partido Social Democrata três, e o centrista Movimento Futuro Brilhante quatro.

As eleições legislativas antecipadas foram anunciadas em agosto, na sequência dos escândalos revelados pelo "Papéis do Panamá" que levaram à demissão do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson em abril, mas os restantes membros do executivo mantiveram-se em funções.

No caso da Islândia, os "Papéis do Panamá" puseram a descoberto situações de evasão fiscal que implicam vários elementos da classe política de Reikjavik.

Em junho, as eleições presidenciais deram a vitória a Gudni Johannesson, um político pouco conhecido e que fez campanha contra o sistema, apelando a reformas profundas na Islândia.

Os Papéis do Panamá, mais de 11 milhões de documentos da sociedade de advogados Mossack Fonseca foram divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e revelam a utilização de paraísos fiscais que escondem os rendimentos de pessoas e empresas de todo mundo.

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