Irene Montero, de rapariga normal a nova mulher-forte do Podemos

Entrou para o partido em 2014 e em três anos chegou a número dois. Relação com Pablo Iglesias é assunto delicado.

Madrilena, psicóloga de profissão e ativista. Irene Montero, com 29 anos recém-cumpridos, é a nova porta-voz do Podemos no Congresso dos Deputados e mulher-forte no partido liderado por Pablo Iglesias. Entrou na formação roxa em 2014, depois das eleições europeias, e em menos de três anos converteu-se na número dois do partido.

Poucos meses depois da sua chegada foi nomeada responsável pelos Movimentos Sociais e começou a dirigir o gabinete do líder. Foi então quando se destacou pela sua grande capacidade de trabalho e pelo grande número de horas dedicadas às suas tarefas. Organizou cuidadosamente a agenda do secretário-geral mostrando a sua disciplina. É uma jovem simples, aberta, próxima das pessoas e simpática (mas por vezes com ar de dura). Uma rapariga normal, longe do ar "intelectual" de Pablo Iglesias e Íñigo Errejón e ao mesmo tempo representa a alma mais combativa e guerreira do Podemos, muito próxima dos conflitos sociais.

Irene Montero está a construir o seu próprio perfil político à margem de Pablo Iglesias e quem está à sua volta lembra que está a formar e a liderar a sua própria equipa de trabalho. No grupo parlamentar da formação roxa há uma estrutura piramidal, pouco comum neste partido, onde Montero está no vértice. É uma mulher com vontade de liderar. Uma fonte próxima afirma que Irene é "suficientemente cínica para ser uma política com o estilo do Podemos, na sua linha mais dura. Vai sempre atacar mas pensa muito no que diz, tem estratégia".

Entrou na Juventude Comunista com 16 anos. Filha única, nasceu numa família trabalhadora, com mãe educadora e pai empregado numa empresa de mudanças. Frequentou a escola semiprivada Século XXI de Moratalaz, com um projeto educativo inovador para os anos 80. Foi neste centro que aprendeu a trabalhar em equipa e por isso é pouco comum que tome decisões solitárias. Depois da sua licenciatura em Psicologia, tirou um mestrado em Psicologia da Educação e o salto para a política obrigou-a a renunciar a uma bolsa de estudos em Harvard.

Sempre com notas muito boas, Irene passou no Chile dois períodos de formação profissional de cinco meses e participou na criação dos Afetados pela Hipoteca de Madrid (PAH). Envolveu-se na defesa dos direitos das famílias afetadas pelos despejos e implicou-se nos movimentos dos estudantes no âmbito do 15-M. Dentro destes movimentos conheceu o advogado da PAH Rafa Mayoral, com quem entrou no Podemos na primavera de 2014. Segundo a própria Irene, aderiu ao Podemos porque "pela primeira vez encontrei um grupo de pessoas espertas e com vontade de mudar as coisas neste país".

A nova porta-voz mantém uma boa relação com os jornalistas. Nos últimos anos, Irene era uma fonte privada, não oficial, para alguns deles. Estava na segunda linha mas podia confirmar a informação do bando fiel ao líder. Uma das primeiras coisas que fez depois de ser nomeada porta-voz foi reunir os jornalistas que acompanham a informação do partido para conversar e ver como melhorar as vias de comunicação com eles. Transmitiu-lhes a sua intenção de realizar um trabalho mais estruturado. Com Errejón como porta-voz, nunca houve um único encontro. A ascensão de Irene Montero no Podemos está diretamente relacionada com a queda do ex-número dois, Errejón. No último ano cada um encabeçou um lado na luta interna no partido, sendo Irene Montero a defensora do vencedor, o de Pablo Iglesias. E a saída de Carolina Bescansa também ajudou na sua projeção como nova mulher de referência dentro do Podemos.

A sua personagem histórica favorita é o filósofo, jornalista e teórico marxista António Gramsci. Irene é também grande admiradora do ex-presidente chileno Salvador Allende, do pai da psicologia histórico-cultural Lev Vygotski e da feminista e ativista afro-americana Angela Davis. Entre as suas referências políticas encontram-se os coletivos das Brigadas Internacionais, "pelo exemplo de solidariedade e luta pela democracia" e a Plataforma dos Afetados pela Hipoteca pelo "trabalho incansável de organização popular para a defesa dos nossos direitos".

Delicado é o tema da conhecida relação sentimental que existe entre Irene Montero e o líder do Podemos, Pablo Iglesias. "A relação era uma coisa assumida pela imprensa, não se fazia referência a ela mas era conhecida", afirma um jornalista que acompanha a atualidade do Podemos. Com a ascensão de Irene Montero, "alguns meios relacionaram ambas as coisas. É um assunto melindroso. Parece evidente que Irene tem vocação política mais além de Pablo Iglesias. É uma pessoa com ambição", acrescenta.

Irene e Pablo são muito discretos com a sua relação, "nunca revelam uma demonstração de carinho em público", afirma um conhecido de ambos. É difícil perceber e afirmar onde estaria Irene Montero sem a sua relação com o secretário-geral do Podemos mas é quase unânime a opinião de que ela está pronta para assumir a função atual que tem no partido. Se a relação sentimental entre eles acabar, ela continuará no topo? Ninguém se atreve a vaticinar o que pode acontecer. Mas parece evidente que de momento, no dia-a-dia, Irene Montero vai ter um papel protagonista dentro do Podemos.

Madrid

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