Irão diz que coligação no Golfo falhou porque aliados têm vergonha dos EUA

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros diz que os Estados Unidos foram incapazes de formar uma coligação internacional para proteger os petroleiros no Golfo porque os seus aliados "têm vergonha" de se juntar ao país.

"Os Estados Unidos estão isolados no mundo e não conseguem criar uma coligação. Os países que são seus amigos têm vergonha de estar numa coligação com eles", afirmou Mohammad Javad Zarif, numa conferência de imprensa realizada hoje em Teerão.

Os próprios Estados Unidos "criaram essa situação, ao violarem a lei e criarem tensões e crises", acrescentou o ministro iraniano.

Os EUA lançaram, em junho, a ideia de fazer uma coligação, na sequência de ataques contra navios na região do Golfo Pérsico imputados pelos Estados Unidos ao Irão, apesar de este país rejeitar qualquer responsabilidade.

A ideia era que cada país escoltasse militarmente os seus navios mercantes com o apoio dos militares norte-americanos, o que proporcionaria vigilância permanente da área mantendo o comando nas mãos dos Estados Unidos.

Os europeus rejeitaram a proposta, escusando-se a juntarem-se à política de "pressão máxima" sobre o Irão preconizada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e decidiram continuar a tentar preservar o acordo nuclear com o Irão, alcançado em 2015 e do qual Trump se retirou unilateralmente em 2018.

Após o arresto de um petroleiro britânico pelo Irão, em julho, Londres decidiu escoltar navios civis de bandeira britânica no estreito do Golfo de Ormuz e enviou um segundo navio de guerra para a região.

A região estratégica do Golfo, através da qual passa um terço do petróleo transportado pelo mar, segundo a Agência norte-americana de Informação sobre Energia, está no centro das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, países que não têm relações diplomáticas desde 1980.

Os Estados Unidos impuseram, entretanto, sanções diretamente a Mohammad Javad Zarif, alegadamente por o ministro ter recusado um convite para se reunir com Donald Trump na Casa Branca.

O convite foi confirmado hoje pelo próprio chefe da diplomacia iraniana, que admitiu ter recusado encontrar-se com o Presidente norte-americano, apesar de estar sob ameaça de sanções pessoais.

Na sexta-feira, a revista New Yorker anunciou que o senador norte-americano Rand Paul convidou, em nome de Donald Trump, o ministro iraniano a visitar a Casa Branca e apresentar as suas propostas para pôr fim ao impasse sobre a questão do programa nuclear.

Questionado sobre a notícia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão garantiu que não aceitou o convite.

"Foi-me dito que serei alvo de sanções daqui a duas semanas se disser que 'não' a esta proposta, o que, felizmente, já disse", afirmou hoje.

A Casa Branca não comentou as notícias da New Yorker.

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