Zuma quer tempo mas ANC exige a sua demissão já

Presidente sul-africano, Jacob Zuma, durante sessão de perguntas no Parlamento em junho

Luta pelo poder no partido de Nelson Mandela. Líderes querem que Cyril Ramaphosa suceda como presidente a Jacob Zuma

A luta pelo poder subiu de patamar na África do Sul. O Congresso Nacional Africano (ANC) exigiu ontem a demissão do atual presidente Jacob Zuma. O histórico partido da luta contra o Apartheid pretende que o controverso chefe do Estado seja substituído na presidência por Cyril Ramaphosa (como já aconteceu, em dezembro, na liderança da formação partidária). No poder há quase nove anos, Zuma viu a sua reputação manchada ao longo dos anos por vários processos relacionados com corrupção. O presidente, de 75 anos, deverá responder hoje ao pedido de demissão depois de ontem ter requerido um período de transição de três a seis meses para deixar o poder. Mas o ANC quer uma saída rápida.

Questionado em conferência de imprensa sobre quando é que o presidente tem que responder ao pedido de demissão do ANC, o secretário-geral do partido disse que não lhe foi dado um prazo, mas espera que a resposta chegue hoje. "Vamos deixar isso nas mãos do presidente Jacob Zuma", declarou aos jornalistas Ace Magashule, fazendo questão de esclarecer que a pressão do partido nada tem que ver com os escândalos de corrupção em que o chefe do Estado tem visto o seu nome envolvido. "O presidente não foi declarado culpado por nenhum tribunal. Quando tomámos esta decisão não foi porque o camarada Jacob Zuma tenha feito alguma coisa de errado", sublinhou o mesmo responsável, na sede do ANC em Joanesburgo. Magashule confirmou que o presidente pediu um período de transição de três a seis meses para sair, mas que os líderes do partido rejeitaram, "por ser um período muito longo". O argumento é o de que quanto mais tempo ele ficar no poder mais difícil será para o seu provável sucessor, Cyril Ramaphosa, reconstruir a imagem do partido a tempo das eleições de 2019. "Transição? Não. Este é um assunto urgente. Deve ser tratado com urgência", afirmou o secretário-geral, reafirmando uma vez mais: "o partido espera que ele saia".

Aquela que é a maior economia do continente africano encontra-se um pouco estagnada, com bancos e empresas mineiras relutantes em investir por causa da incerteza política que o país vive. Zuma já sobreviveu a seis moções de censura apresentadas contra si desde 2010, tendo algumas vozes do ANC começado a juntar-se às críticas que lhe eram dirigidas pela oposição. Com a eleição de Cyril Ramaphosa para líder do ANC, em dezembro do ano passado (depois de derrotar uma ex-mulher de Zuma Nkosazana Dlamini-Zuma), a confiança subiu e o rand, assinala a Reuters, começou a valorizar face ao dólar.

Num país em relação ao qual muitos perguntam onde estão afinal os seguidores e defensores do legado de Nelson Mandela, não é só Zuma que tem manchas no CV. Ramaphosa, de 65 anos, viu a sua popularidade afetada pela morte de 34 mineiros em greve na mina de platina de Marikana, que era explorada pela Lonmin e da qual era diretor não executivo. O massacre ocorreu em agosto de 2012. Defendeu forte ação policial sobre os mineiros em greve. Mais tarde veio pedir desculpas por aquele que foi o mais grave tiroteio policial desde o fim do Apartheid em 1994.

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