Líder da oposição do Zimbabué pede a Mugabe que resigne

Mugabe restá reunido com os enviados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, enviados pelo presidente sul-africano

O presidente do Zimbabué está reunido na sede da Presidência, em Harare, com os enviados especiais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), após a intervenção militar, disse hoje um porta-voz do Governo sul-africano.

Segundo Clayson Monyela, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência France-Presse, a missão da SADC engloba os ministros sul-africanos da Defesa e da Segurança Nacional, enviados pelo presidente Jacob Zuma, que preside atualmente à organização sub-regional da África Austral.

O encontro, insistiu Monyela, decorre na sede da Presidência zimbabueana, em Harare, confirmando as indicações avançadas por testemunhas à comunicação social local que davam conta de que uma caravana presidencial que, acompanhada por um helicóptero, estava a seguir com destino ao palácio presidencial.

Segundo fontes da televisão sul-africana SABC, a conversa entre Mugabe, que estava há mais de 24 horas sob prisão domiciliária, e os enviados especiais da SADC destina-se a encontrar uma solução para a crise político-militar que poderá por fim a 37 anos de regime.

Ao mesmo tempo, o líder da oposição zimbabueana, Morgan Tsvangirai, também presidente do Movimento para as Mudanças Democráticas (MMD), defendeu que Mugabe deve resignar à presidência do Zimbabué, cargo que ocupa desde que o país acedeu à independência, em 1980.

Num encontro com jornalistas, em Harare, Tsvangirai afirmou ser necessário negociar um "mecanismo transitório inclusivo!" para assegurar as funções governativas, bem como um conjunto de reformas antes da realização das eleições de 2018.

Depois, prosseguiu, deve ser criada uma plataforma pós-eleitoral para garantir a estabilidade no país e que, quer o bloco regional da SADC, quer a União Africana (UA), devem subscrever esse pacto.

Tsvangirai garantiu, por outro lado, não ter recebido qualquer contacto com vista a integrar um "mecanismo de transição" (governo), admitindo, porém, que se tal acontecer, o partido irá participar.

Entre 2009 e 2013, Morgan Tsvangirai copresidiu o Zimbabué com Mugabe, acabando por ser derrotado por margem mínima nas presidenciais desse ano.

Desde então, tem estado em tratamentos médicos para debelar um cancro.

Entretanto, em Londres, um analista ligado ao Programa África da Chatham House disse acreditar que as negociações em curso terão já permitido chegar à conclusão de que Mugabe terá de abandonar o poder.

Knox Chityiyo admitiu, porém, que há ainda "muita especulação", garantindo, por outro lado, que a igreja católica local está envolvida nas negociações entre Mugabe e os militares.

Para o analista da Chatham House, o objetivo das negociações é chegar a uma resolução pacífica da crise político-militar e abrir caminho a uma transição concertada.

Segundo Chitiyo, os militares já apresentaram a Mugabe uma proposta para uma "saída digna" do cargo. "Não sei para onde poderá ir, se tal acontecer, mas creio que o destino de Mugabe será determinado pelo seu estado de Saúde", concluiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.