Zimbabué: Ex-vice-presidente Mnangagwa apela a Mugabe para se demitir

Robert Mugabe, o mais velho dirigente em exercício do mundo, rejeita deixar o cargo, apesar da pressão dos militares, do partido e do povo

O antigo vice-presidente do Zimbabué Emmerson Mnangagwa, destituído há duas semanas, apelou hoje ao Presidente, Robert Mugabe, para se demitir imediatamente de modo a "preservar o seu legado" e a permitir "ao país avançar".

Numa declaração enviada à imprensa, Emmerson Mnangagwa, cuja destituição desencadeou o golpe do exército contra o regime de Mugabe, também indicou que não irá regressar ao Zimbabué enquanto não tiver certeza que a sua segurança é garantida.

"Convido o Presidente Mugabe a levar em conta os apelos lançados pelo povo para a sua demissão de modo a que o país possa avançar e preservar o legado" do chefe de Estado, declarou Emmerson Mnangagwa, na mesma nota citada pelas agências internacionais.

O ex-vice-presidente do Zimbabué, no estrangeiro desde que foi destituído em 06 de novembro, confirmou que esteve em contacto com o Presidente Mugabe, conforme indicou na noite de segunda-feira o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Constantino Chiwenga.

"Posso confirmar que o Presidente (...) convidou-me a voltar ao país para discutir os desenvolvimentos políticos em curso na nação. Eu respondi-lhe que não regressarei enquanto não estiver satisfeito com as condições relativas à minha própria segurança", explicou.

O afastamento de Mnangagwa desencadeou um conjunto de reações em cadeia, culminando com a intervenção do exército que tomou o controlo do poder e impediu Mugabe, de 93 anos, de continuar a manobrar politicamente para que a mulher, Grace, o substituísse na presidência do país.

Grace Mugabe foi também expulsa, "para sempre", da União Nacional Africana do Zimbabué -- Frente Patriótica (ZANU-PF, no poder), juntamente com dois dos ministros mais próximos de Robert Mugabe, os da Educação Superior, Jonathan Moyo, e o das Finanças, Ignatius Chombo.

Robert Mugabe, o mais velho dirigente em exercício do mundo, rejeita deixar o cargo, apesar da pressão dos militares, do partido e do povo, com a capital, Harare, a ser palco no passado sábado de uma das maiores manifestações de sempre contra a sua permanência no poder.

Os deputados do partido no poder no Zimbabué avançam hoje no Parlamento com o processo que permitirá desencadear a destituição, em apenas dois dias, do Presidente Robert Mugabe.

Segundo fontes da ZANU-PF, a moção de destituição será apresentada nas duas câmaras do Parlamento, devendo, depois, ser criado uma comissão especial para que, na quarta-feira, apresente um relatório oficial para se avançar com a votação, sendo necessária uma maioria de dois terços para ser aprovada.

Segundo a Constituição zimbabueana, a Assembleia Nacional e o Senado podem depois aprovar, por uma maioria simples, o procedimento de destituição do Presidente.

Desconhece-se por quanto tempo irá prolongar-se o processo, bem como se Mugabe vai interpor recursos para evitar a destituição.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.