Xanana regressa ao poder pela terceira vez em Timor

Coligação liderada por primeiro presidente do país após a independência teve maioria absoluta. Fretilin promete "oposição forte".

Uma campanha eleitoral mais agitada e com mais incidentes do que a anterior, em 2017, produziu um resultado claro e expressivo nas legislativas antecipadas em Timor-Leste, dando a maioria absoluta à coligação de três partidos, liderada por Xanana Gusmão, que estiveram na oposição ao governo minoritário da Fretilin.

Os resultados divulgados ontem dão à Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) mais de 309 mil votos (49,56%), equivalente a 34 deputados num Parlamento de 65 lugares. Em segundo lugar, ficou a Fretilin com 212 974 votos (34,18%), mantendo os mesmos 23 deputados que elegera em julho de 2017.

Os deputados só tomarão posse em junho, após a certificação dos resultados no final deste mês, mas Xanana já afirmou que será ele a liderar o novo executivo. Assim, o líder histórico da resistência à ocupação indonésia, regressa ao poder pela terceira vez. Xanana foi o primeiro presidente após a independência, entre 2002 e 2007, e chefe de governo, de 2007 a 2015. Aos 73 anos, continua a ser a figura tutelar na vida política timorense e a mostrar que a sua popularidade não tem sido afetada pelo exercício do poder.

Por seu lado, o ex-primeiro-ministro e principal dirigente da Fretilin, e também ele uma figura histórica da resistência, Mari Alkatiri, declarou que o seu partido será "oposição forte". Alkatiri suscitou ainda a hipótese de terem ocorrido "irregularidades" que tenciona investigar. Mesmo com estas suspeitas, os observadores internacionais indicaram que as eleições, apesar de maiores tensões do que em 2017, foram livres e transparentes. O que representa uma importante vitória para a consolidação da democracia no país.

Novo governo vai ter negociar com a Austrália o local de tratamento do petróleo do Greater Sunrise

A AMP é formada pelo CNRT, de Xanana Gusmão, pelo Partido de Libertação Popular, PLP, do ex-presidente Taur Matan Ruak, e pelo KHUNTO, com importante base junto do eleitorado jovem. O seu primeiro desafio será a elaboração do Orçamento anual devido a algumas divergências entre o CNRT e o PLP sobre o modelo de desenvolvimento a seguir. Uma segunda e importante questão será a negociação com a Austrália sobre o local onde deve ser processado o gás natural e o petróleo provenientes dos campos do Greater Sunrise (Grande Nascente), após a assinatura em fevereiro de acordo sobre a repartição dos lucros da sua exploração. Do lado de Díli, o acordo foi negociado, precisamente, por Xanana que tem advogado que o tratamento do petróleo seja feito em território timorense, na costa Sul, enquanto Camberra e as petrolíferas do consórcio que explora Greater Sunrise defendem que seja feito offshore. O principal argumento é que a criação de infraestruturas em Timor seria muito dispendioso.

Entraram ainda no Parlamento de Díli o Partido Democrático, que apoiou o governo cessante de Alkatiri e elegeu cinco deputados, e a coligação Frente de Desenvolvimento Democrático, composta por quatro partidos que se apresentaram em separado em 2017.

Ler mais

Exclusivos

Premium

adoção

Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.