Weinstein acusado formalmente de violação e outros delitos sexuais

A acusação formal foi emitida por um grande júri, segundo indicou a procuradoria do distrito de Manhattan

O produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi formalmente acusado na quarta-feira de violação e outros atos criminais de índole sexual, informaram hoje fontes judiciais.

Weisntein tinha conhecido na sexta-feira passada o indiciamento emitido pela Justiça, quando se entregou à polícia, mas ainda não era conhecida a acusação formal e os delitos pelos quais seria judicialmente processado.

A acusação formal foi emitida por um grande júri, segundo indicou a procuradoria do distrito de Manhattan, que avançou com o processo contra Weinstein, que também está a ser investigado em Los Angeles e Londres.

Harvey Weinstein, de 66 anos, entregou-se na sexta-feira às autoridades em Nova Iorque no âmbito de uma investigação judicial sobre agressões e abuso sexual, tendo saído em liberdade com pulseira eletrónica e depois de pagar uma caução de um milhão de dólares (864 mil euros).

Está também proibido de sair dos estados de Nova Iorque e do Connecticut.

Na ocasião, o advogado de Weinstein, Benjamin Brafman, escusou-se a comentar as acusações, mas anteriormente tinha dito que o produtor negava qualquer alegação de "sexo não consentido".

No total, mais de uma centena de mulheres testemunhou que o produtor de Hollywood tinha abusado sexualmente delas, um escândalo que desencadeou a campanha #Time'sUp, que levou à queda de centenas de homens em lugares de poder de numerosos setores.

Depois das primeiras denúncias, em outubro passado, Harvey Weinstein foi afastado da empresa norte-americana Weinstein Company, que cofundou, e banido de várias associações, nomeadamente da Academia de Cinema dos Estados Unidos, que atribui os Óscares.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.