Vulcão Agung coloca Bali em estado de alerta máximo

Autoridades davam ontem uma grande erupção como estando “iminente”. Área de perigo foi alargada dez quilómetros. Encerramento de aeroporto deixou 59 mil pessoas em terra

A Indonésia encerrou ontem o aeroporto da ilha de Bali e ordenou a cem mil pessoas que vivem ou estão alojadas na zona em redor do vulcão do Monte Agung para que deixem imediatamente a área, alertando que primeira grande erupção em 54 anos estaria “iminente”. Ontem, cerca de 40 mil pessoas já tinham abandonado a área de perigo, entretanto alargada para um perímetro de 10 quilómetros, e não havia registo de mortos.

“Nuvens de fumo são ocasionalmente acompanhadas de erupções explosivas e do som de pequenas explosões que podem ser ouvidas a uma distância de até 12 quilómetros”, afirmou ontem, em comunicado, a Agência de Gestão de Desastres indonésia (BNPB), após elevar o nível de alerta de três para quatro, o mais alto. “O potencial para uma grande erupção é iminente”, acrescentou o mesmo organismo, referindo-se ao avistamento de magma no pico do Agung durante a madrugada de ontem.

Sutopo Purwo Nugroho, um porta-voz da BNPB, adiantou que ainda não havia registo de mortes e que cerca de 40 mil pessoas já tinham abandonado a área. Imagens de vídeo partilhadas por esta agência mostram fluxos de lama vulcânica (lahar, em javanês, uma das línguas da Indonésia) na encosta do monte.

Anna Baranova, que trabalha para a organização não-governamental Kopernik, estava a ajudar à retirada de pessoas para abrigos de emergência e explicou à BBC que o seu grupo estava a tentar arranjar máscaras melhores e, se possível, óculos de proteção. “Há um esforço para distribuir informações e também televisões com energia solar que transmitirão informações sobre a evacuação para os campos, caso a eletricidade falhe se houver uma erupção”, afirmou. “Estou muito preocupado porque deixei minha casa para trás e também estou preocupado com a minha família”, disse à AFP Putu Suyasa, um agricultor de 36 anos, que fugiu com os familiares mais próximos de uma aldeia a oito quilómetros do vulcão.

Bali, conhecida pelo surf, praias e templos, recebeu no ano passado cerca de cinco milhões de turistas e o seu aeroporto serve como porta de entrada para a cadeia de ilhas da região. O fecho do aeroporto, inicialmente por 24 horas, levou ontem ao cancelamento de 445 voos, afetando cerca de 59 mil passageiros. Mas este encerramento poderá ser prolongado, avisaram as autoridades. Imagens transmitidas pela televisão mostravam centenas de turistas acampados no local. “Estamos em Bali há três dias e íamos partir hoje, mas acabámos de descobrir que o nosso voo foi cancelado. Não temos mais informação porque as portas de embarque, os balcões de check-in foram encerrados indefinidamente”, contava Carlo Oben, um turista norte-americano. As autoridades prepararam dez aeroportos alternativos, incluindo em províncias vizinhas, para o desvio de voos que estão a chegar.

Os números do turismo em determinadas zonas de Bali estão a descer desde setembro, quando os tremores vulcânicos do Agung começaram a aumentar e o nível de alerta passou para 4 (o máximo), tendo depois diminuído em outubro, altura em que a atividade sísmica acalmou. “Estou muito preocupada. Talvez vá para sul, onde acho que estarei a salvo e conseguirei evitar ficar presa pela queda de cinza”, disse ontem à Reuters Maria Becher, uma turista alemã que estava hospedada em Amed, a cerca de nove quilómetros do vulcão.

O Monte Agung domina a zona leste de Bali com os seus 3142 metros de altitude, o ponto mais alto da ilha. A zona nordeste de Bali é relativamente pouco desenvolvida quando comparada com o centro turístico no sul de Kuta-Seminyak-Nusa Dua. O Centro Geológico e Vulcanologia da Indonésia (PVMBG), que está a usar drones, imagens por satélite e outros equipamentos, avançou ontem ser difícil fazer previsões, pois não existem registos da erupção de há 54 anos - em 1963, cerca de 1600 pessoas morreram e várias aldeias foram destruídas devido ao Agung.

Agora, os registos mostram que a área nordeste do Agung aumentou nas últimas semanas, “indicando que existe uma forte pressão para a superfície”, referiu o PVMBG, que avisa que uma erupção semelhante à de 1963 poderá atirar pedras maiores do que um punho até uma distância de oito quilómetros e gás vulcânico até 10 quilómetros no espaço de três minutos.

Lisboa reiterou o apelo dirigido aos viajantes portugueses que se encontrem em Bali para respeitarem as informações de segurança das autoridades indonésias, disse ontem à Lusa fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. “Na sequência do encerramento do aeroporto de Denpasar, a 27 de novembro, e por um período de 24 horas, reitera-se o apelo a todos os que viajem para Bali para que continuem a observar as regras de segurança em vigor naquela região e sigam as orientações das autoridades indonésias” disse a mesma fonte, acrescentando que existe no aeroporto um “balcão de apoio da União Europeia” para cidadãos europeus, estando ainda a ser distribuída informação útil em português.

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