Vitória em Uttar Pradesh faz crescer onda açafrão de Modi

Nacionalistas conseguiram expressiva maioria neste estado, governando agora sobre 64% do território e 54% da população indiana

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, consolidou ontem o seu poder como homem forte da Índia, depois da vitória expressiva do seu partido nas eleições de Uttar Pradesh, o estado mais populoso do país, com mais de 200 milhões de habitantes. Uma vitória com uma maioria que não era vista desde 1980 e que garante que os nacionalistas hindus do BJP, em conjunto com os seus aliados, governam sobre 64% do território e 54% da população indiana. Uma onda açafrão que ajuda Modi na corrida à reeleição, em 2019.

"Agradeço do fundo do coração ao povo de Uttar Pradesh. Esta é uma vitória histórica para o BJP, uma vitória pelo desenvolvimento e pela boa governança", escreveu o primeiro-ministro no Twitter, onde tem 28 milhões de seguidores. O BJP conseguiu 312 dos 403 lugares no Parlamento regional. A eleição no estado que se fosse independente era o quinto país mais populoso do mundo (depois de China, Índia, EUA e Indonésia) é uma vitória pessoal de Modi, com o BJP a optar por não designar oficialmente um candidato a ministro-chefe (responsável pelo governo do estado). Só hoje se saberá quem ocupará esse cargo.

Em vez de ter um candidato, o primeiro-ministro envolveu-se diretamente na campanha, transformando-a numa espécie de plebiscito à sua popularidade e à das suas políticas, incluindo a polémica retirada da circulação as duas notas de maior valor (500 e mil rupias, isto é, 86% do dinheiro líquido), com efeitos diretos na economia. "Costumamos dizer que a estrada para Deli passa por Lucknow [capital de Uttar Pradesh]. Esta vitória deixa Modi numa posição extremamente favorável para 2019", disse à AFP o professor Gilles Verniers, da Universidade de Ashoka.

Em 2014, a vitória em Uttar Pradesh tinha sido crucial para o resultado histórico dos nacionalistas hindus a nível nacional, que conseguiram afastar pela primeira vez desde a independência o Partido do Congresso do poder. O grande derrotado das eleições no Uttar Pradesh foi precisamente o Partido do Congresso, de Sonia Gandhi e do seu filho Rahul (que continua a não conseguir impor-se como um candidato viável para 2019). O partido concorria em aliança com o ministro-chefe Akhilesh Yadav, do Partido Samajwadi. Em conjunto, ambos tinham 252 deputados estaduais, ficando agora apenas com 54 no estado que é a terra natal da dinastia Gandhi.

A única consolação foi a vitória no Punjab, um dos cinco estados cujos resultados eleitorais foram ontem conhecidos. O Partido do Congresso conquistou a maioria absoluta, derrotando os nacionalistas sikhs. Em Goa, o partido de Sonia Gandhi ficou a um representante da maioria absoluta e a quatro do BJP, que diz ainda assim estar mais bem colocado para conseguir fazer uma aliança que lhe permita voltar a governar. O até agora ministro-chefe, Laxmikant Parsekar, não foi contudo reeleito. Os resultados eleitorais em Manipur também foram inconclusivos, com o Partido do Congresso a ficar a três eleitos da maioria absoluta, enquanto o BJP teve o seu melhor resultado em décadas. Também neste estado poderá conseguir formar uma coligação para governar.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz amanhã, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.