Vinte anos de prisão para ex-polícia branco que matou negro desarmado

Os factos remontam a abril de 2015 e foram captados num vídeo amador

O ex-polícia branco do estado norte-americano da Carolina do Sul que abateu a tiro, em 2015, um automobilista negro desarmado, desencadeando indignação popular, foi esta quinta-feira condenado por homicídio a uma pena de 20 de anos de prisão.

Michael Slager foi igualmente considerado culpado de obstrução à justiça por ter mentido relativamente às circunstâncias do homicídio de Walter Scott, de 50 anos, atingido a tiro por Slager quando tentava fugir após uma banal infração ao código da estrada.

Os factos, que remontam a abril de 2015 e foram captados num vídeo amador, chocaram a opinião pública no país e além-fronteiras.

O assassínio de Walter Scott originou manifestações que por vezes desembocaram em confrontos, por todos os Estados Unidos.

O antigo agente policial corria o risco de condenação a prisão perpétua depois de, em maio, se ter declarado culpado da acusação federal: ter de forma voluntária atentado contra os direitos cívicos de Walter Scott ao exercer uma força excessiva a coberto das suas funções.

Um primeiro julgamento não federal de Slager foi anulado em dezembro de 2016, por os 12 jurados não terem chegado a acordo sobre o veredicto.

Slager afirmou ter agido em legítima defesa, por se ter sentido ameaçado depois de ter confrontado Scott.

No vídeo dos factos, filmado num 'smartphone' por uma testemunha, via-se o polícia, então com 33 anos, disparar oito vezes sobre a sua vítima que tentava fugir, atingindo-a cinco vezes nas costas.

Foi-lhe também imputada a tentativa de criar um cenário que fazia crer na legítima defesa, ao colocar o seu 'taser' ao lado de Walter Scott, o que lhe valeu o rápido despedimento da polícia, uma sanção rara nos Estados Unidos.

Este caso foi um de uma série de tragédias envolvendo polícias norte-americanos e demonstrando o seu uso abusivo da força contra cidadãos negros.

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