Vietname redobra esforços para controlar Internet

Há, pelo menos, cem pessoas detidas no país por motivos ideológicos ou religiosos.

O aumento da contestação em blogues e redes sociais obrigou o regime socialista do Vietname a redobrar esforços para controlar os conteúdos publicados na Internet, através da colaboração de empresas como Google e Facebook. Para isso, o regime criou, em dezembro, a chamada Força 47, uma unidade militar de dez mil agentes que pretende combater "pontos de vista errados" na rede.

"O objetivo é proteger as opiniões do Partido Comunista. O que significa que querem controlar a opinião pública na Internet", disse à agência noticiosa espanhola EFE o ativista Nguyen Chi Tuyen. Habituado a partilhar opiniões críticas do Governo nas redes sociais, Nguyen garantiu que nem ele, nem outros ativistas esperam problemas adicionais com esta nova unidade.

"Antes da criação da Força 47, o departamento de Propaganda admitiu contar com milhares de 'formadores de opinião'. E, apesar disso, nos últimos anos temos publicado tudo o que considerámos oportuno, afirmou o ativista, consciente de que a difusão de opiniões dissidentes implica o risco de prisão.

A organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) estimou que, pelo menos, cem pessoas se encontrem detidas por motivos ideológicos ou religiosos em todo o país.

Ao contrário da China, que bloqueia 'sites' como a rede social Facebook, a plataforma de partilha de vídeos YouTube, a rede de mensagens Twitter e de partilha de fotografias Instagram, o Vietname mantém a liberdade de navegação e procura contrariar o crescente número de vozes dissidentes com mais vigilância e, segundo a HRW, "perseguindo ativistas que criam opinião".

O Facebook, a rede mais popular, foi alvo de tentativas de censura estatal durante os seus primeiros anos no Vietname, mas a falta de meios do regime e a habilidade dos internautas para contornar os controlos permitiu a expansão da rede, que inclui 64 milhões de utilizadores no país, entre uma população de 95 milhões.

Em 2013, o antigo primeiro-ministro Nguyen Tan Dung reconheceu que era impossível impedir a rede social criada por Mark Zuckerberg e defendeu que o Governo devia utilizá-la em seu favor, com a difusão de informação própria.

A estratégia adotada tem sido, desde então, a negociação para conseguir a colaboração das empresas.

A 11 de janeiro, o Ministério da Informação vietnamita anunciou que o Facebook tinha eliminado 670 contas falsas ou que difundiam "propaganda antigovernamental". A empresa manteve mais de quatro mil contas que não cumpriam os critérios do regime.

Criticado, nos últimos meses, pelo Governo por não "cooperar mais", o Facebook comprometeu-se a colaborar com o regime socialista na construção de "um ambiente cibernético são".

O YouTube, que pertence ao Google, foi mais recetivo às exigências governamentais ao eliminar, no ano passado, 4.500 dos 5.000 vídeos que as autoridades consideraram "tóxicos".

Um executivo de uma agência de publicidade de Ho Chi Minh (antiga Saigão) considerou que o YouTube "é muito eficaz" para a promoção de produtos no país, mas entre março e julho do ano passado, "vários clientes pediram para esse canal não ser usado para manterem uma boa relação com o Governo".

"Só quando o YouTube começou a apagar vídeos antigovernamentais, é que os nossos clientes aceitaram voltar a anunciar nesse canal", disse o empresário, que pediu o anonimato.

Além do controlo da dissidência no interior do país, Hanoi também se preparou para possíveis ciberataques estrangeiros, com a criação de "um cibercomando" dependente do Ministério da Defesa para proteger a soberania nacional na internet e evitar o roubo de dados militares.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

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