Reformas económicas geraram mais fome e miséria na Venezuela

Medidas de Nicolás Maduro para a economia geraram mais fome e miséria, diz a Conferência Episcopal Venezuelana.

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) denunciou na segunda-feira que as reformas económicas, implementadas há um pouco mais de um mês pelo Presidente Nicolás Maduro, "têm gerado mais fome e miséria e não resolvem a inflação".

"As medidas económicas têm causado uma crise gravíssima em todo o povo", disse o presidente da CEV, monsenhor José Luís Azuaje, aos jornalistas.

Para a CEV não é suficiente aumentar os salários ou eliminar zeros ao bolívar (moeda venezuelana), urge "dar garantias jurídicas para os investimentos, deixar de ter uma atitude controladora e punitiva com os empresários, lutar contra a corrupção e a viveza [perspicácia oportunista] dos que têm quotas de poder".

É urgente, afirmou monsenhor José Luís Azuaje, "abrir o mercado, elaborar políticas económicas, não desde uma ideologia tresnoitada, mas sim desde diretrizes económicas que implica o mundo globalizado".

"A falta de abastecimento e especulação indicam que esta economia está doente, ou como bem o diz o papa Francisco, esta economia mata", frisou o presidente da CEV.

Os bispos católicos venezuelanos lamentam que a crise esteja a forçar os venezuelanos a emigrarem, principalmente os mais pobres, e advertem que os migrantes correm o risco de serem capturados por máfias com a intenção de os explorar, traficar, prostituir e usar no narcotráfico.

"O Governo, com a sua política repressiva, tem preparado o povo para que não proteste globalmente, para que os líderes percam influência, que as instituições percam a missão e visão", disse, precisando que os venezuelanos ficaram "sozinhos numa luta desigual".

A 20 de agosto último, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, implementou uma série de medidas económicas que começaram com uma reforma monetária que eliminou cinco zeros ao bolívar forte, dando origem ao bolívar soberano.

As medidas incluíram uma desvalorização de 98% da moeda venezuelana, um aumento do IVA de 12% para 16%, o aumento em 35 vezes do salário mínimo dos venezuelanos e o aumento do preço de venda ao público da gasolina, para valores internacionais.

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