Quase 300 feridos em protestos em Caracas

As manifestações contra e a favor do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, intensificaram-se no último mês, tendo causado pelo menos 33 mortos e centenas de feridos

Pelo menos 298 pessoas ficaram feridas, na quarta-feira, em dois municípios de Caracas, na sequência de protestos com as forças de segurança durante protestos contra a convocação de uma Assembleia Constituinte, pelo Presidente da Venezuela.

O maior número de feridos foi registado em Baruta, onde 234 pessoas foram atendidas nos serviços de saúde locais, com "traumatismos e asfixias", de acordo com uma informação publicada na conta do município na rede de mensagens instantâneas Twitter.

O presidente da câmara de Chacao, Ramón Muchacho, disse aos jornalistas que os serviços de saúde locais atenderam 164 pessoas, incluindo dois jovens com queimaduras causadas por 'cocktails-Molotov, e dois feridos por balas de borracha.

A Câmara Municipal de Chacao disponibilizou um grupo de psicólogos para acompanhar os feridos.

As manifestações contra e a favor do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, intensificaram-se no último mês, tendo causado pelo menos 33 mortos e centenas de feridos. Mais de 1.300 pessoas foram detidas.

A oposição reclama a libertação dos presos políticos, a convocação de eleições gerais, o fim da repressão, protestando também contra duas sentenças do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que limitam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assume as funções do parlamento.

Na quarta-feira, milhares de pessoas saíram à rua em várias cidades, contra a convocação de Assembleia Constituinte, feita na última segunda-feira por Nicolás Maduro.

De acordo com a aliança da oposição, Mesa de Unidade Democrática (MUD), a convocação "é uma fraude, inconstitucional e implica o fim da democracia".

Na segunda-feira, Maduro convocou os venezuelanos para elegerem uma Assembleia Constituinte cidadã para preservar a paz e a estabilidade da República, incluir um novo sistema económico, segurança, diplomacia e identidade cultural, de acordo com o Presidente venezuelano.

Para Nicolás Maduro, entre as suas "atribuições constitucionais", está a reforma do Estado venezuelano e a alteração da ordem jurídica, o que permite a convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.