Grupo venezuelano Soldados de Franelas reivindica atentado com drones

Grupo Movimento Soldados de Franelas diz que atentado mostrou a vulnerabilidade do governo de Nicolás Maduro. Presidente venezuelano acusou Colômbia de apoiar ataque. Gabinete de Juan Manuel Santos respondeu que este está empenhado no batizado da neta e não em derrubar governos

O Movimento Soldados de Franelas (MSF) reivindicou o alegado atentado este sábado contra o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que provocou sete feridos.

"A operação era voar dois drones (aviões não tripulados), carregados com C4 (explosivos). O objetivo era o palco presidencial. Os atiradores da guarda de honra (encarregada da segurança presidencial) derrubaram os drones antes de chegar ao objetivo", lê-se numa mensagem na rede social Twitter. "Hoje não conseguimos, mas é uma questão de tempo", considerou o MSF.

O atentado demonstrou que o Governo de Nicolás Maduro "é vulnerável", acrescentou o grupo.

O MSF é um grupo subversivo criado em 2014 e que pretende agrupar todos os "grupos de resistência" venezuelanos, para fazer uma "efetiva luta contra a ditadura, com organização e convicção".

Duas explosões, aparentemente provocadas por um 'drone', obrigaram, sábado, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar).

O ato, que decorria na Avenida Bolívar de Caracas (centro), estava a ser transmitido em simultâneo e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões venezuelanas e no momento em que Nicolás Maduro anunciava que tinha chegado a hora da recuperação económica ouviu-se uma das explosões, que fez inclusive vibrar a câmara que focava o chefe de Estado.

Nesse instante, a mulher do Presidente venezuelano, Cília Flores, e o próprio chefe de Estado olharam para cima.

Veja o vídeo:

Antes da televisão venezuelana suspender a transmissão foi possível ainda ver, o momento em que militares rompiam a formação.

Mais tarde, Nicolás Maduro fez uma comunicação ao país, a partir do palácio presidencial de Miraflores, em que acusou o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, de ter ordenado o alegado ataque.

"Tudo aponta para a extrema-direita venezuelana, em aliança com a extrema-direita colombiana e tenho a certeza que Juan Manuel Santos está por detrás deste atentado", denunciou Maduro.

O Presidente da Venezuela explicou que Juan Manuel Santos, que vai abandonar a presidência da Colômbia no dia 7, não podia deixar o poder "sem fazer dano" ao seu país [Venezuela].

Cerca de 45 minutos depois desta acusação, o gabinete do presidente da Colômbia refutou a afirmação de Nicolás Maduro.

"Isso não tem base, o presidente está empenhado no batismo da sua neta Celeste, e não em derrubar governos estrangeiros", disse uma fonte da presidência colombiana.

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