Mais de 1000 venezuelanos abandonam Brasil depois de violência

No último ano, Pacaraima, com uma população de cerca de 12 mil pessoas, tornou-se na principal porta de entrada no Brasil para os venezuelanos que fogem da crise política, económica e social que afeta o seu país.

Pelo menos 1200 venezuelanos abandonaram o Brasil nas últimas horas, depois dos casos de violência registados, no sábado, nos acampamentos da cidade Pacaraima, na fronteira. Segundo fontes do exército brasileiro, habitantes de Pacaraima, no estado brasileiro de Roraima protestaram contra a presença de imigrantes venezuelanos na cidade, expulsando-os das tendas de campismo onde dormiam e queimando os seus objetos pessoais.

Uma situação de tensão máxima ao nível diplomático, com o Governo de Caracas a pedir a Michel Temer proteção para os seus cidadões. Nicolás Maduro disse ter ordenado que os funcionários de seu consulado em Boa Vista sigam para Pacaraima para analisar a situação e "velar pela integridade" dos venezuelanos nessa região.

Segundo a imprensa brasileira, o ministério do interior venezuelano solicitou às autoridades brasileiras as "garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e que tome as medidas de proteção e segurança de suas famílias e bens". A Venezuela mostrou ainda "preocupação com as informações que confirmam ataques a imigrantes venezuelanos, assim como desalojamentos em massa", atos que, segundo eles, "violam as normas do Direito Internacional".

Tensão, violência e ameaças de Caracas

A fazer fé nas notícias dos jornais brasileiros as cenas de violência tiveram origem depois que um comerciante brasileiro foi ferido e de os locais terem responsabilizado os venezuelanos. Em retaliação, dezenas de brasileiros atacaram os dois principais acampamentos improvisados dos imigrantes.

O problema não é novo, mas tende a piorar. No último ano, Pacaraima, com uma população de cerca de 12 mil pessoas, tornou-se na principal porta de entrada no Brasil para os venezuelanos que fogem da crise política, económica e social que afeta o seu país. Outros países vizinhos, como o Equador e a Colômbia, também têm enfrentado problemas devido ao elevado número de venezuelanos a tentar sair do país, tendo adotado medidas de controlo de chegadas, como a exigência de passaporte e não só de bilhete de identidade nacional como era habitual

No primeiro semestre, cerca de 56.740 venezuelanos procuraram legalizar a sua situação no Brasil, para obter o direito de refúgio ou residência temporária. No sábado, a cidade brasileira de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, foi palco de violência e tensão na sequência de vários ataques de brasileiros aos acampamentos de imigrantes venezuelanos.

As Nações Unidas estimam que 2,3 milhões de venezuelanos saíram do país, fugindo da pobreza e a procura de trabalho. Mais de 800 mil estão na Colômbia, onde têm direito temporário de residência. Com Lusa

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João Gobern

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