Venezuela já recebeu os pernis de porco para o Natal

A Venezuela já recebeu os pernis de porco para o Natal. O ano passado, por esta altura, os governantes venezuelanos acusavam Portugal de sabotar o envio deste produto. Mas não dizem de onde receberam as novas encomendas.

"Estamos a rever a mercadoria que está a chegar ao país, através do porto de La Guaira", anunciou esta quinta-feira o ministro de Alimentação venezuelano, Luís Medina.

Confirmou a receção através da sua conta no Twitter, onde o explicou que garantirá uma tradição do povo da Venezuela, mas sem confirmar a quantidade de pernis ou a sua proveniência.

Em finais de 2017 o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou Portugal de sabotar a importação de pernil de porco e que, por isso, não cumpriu a promessa de distribuir entre o povo este tradicional alimento de Natal.

"O que se passou com o pernil? Fomos sabotados e posso dizer de um país em particular, Portugal. Estava tudo pronto, comprámos todo o pernil que havia na Venezuela, mas tínhamos que importar e sabotaram a compra", disse na altura Nicolás Maduro, durante uma alocução televisiva.

O Presidente da Venezuela referiu que tinha feito um plano e acertado os pagamentos, mas que "foram perseguidos e sabotados os barcos" que traziam o pernil, lamentando ainda que alguns países tivessem bloqueado as contas bancárias que iriam ser utilizadas para efetuar os pagamentos.

Por outro lado, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), Diosdado Cabello, tido como o segundo homem do regime, acusou os portugueses de se terem assustado com os norte-americanos.

"Os portugueses comprometeram-se, os 'gringos' (norte-americanos) assustaram-nos e não mandaram o pernil e estamos em apertos", disse à televisão estatal, atribuindo a sabotagem a uma estratégia da "direita" para que "o povo brigue com o próprio povo".

Na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, rejeitou a acusação de sabotagem à venda de carne de porco à Venezuela, frisando que Portugal é uma economia de mercado em que o Governo não interfere nas relações entre empresas.

"O Governo português não exporta pernil de porco, nem para a Venezuela, nem para nenhum país do mundo", disse então Augusto Santos Silva à imprensa à margem do 6.º Fórum de Graduados Portugueses no Estrangeiro, em Lisboa.

Ainda em finais de 2017, a empresa agroalimentar Raporal- Rações de Portugal revelou que a Venezuela devia, na altura, cerca de 40 milhões de euros às empresas portuguesas fornecedoras de pernil de porco àquele país.

A falta de pernil motivou vários protestos da população, que reclamou pela falta de alguns bens alimentares, mas também pelos altos preços de alguns produtos.

Estima-se que pelo menos 6 milhões de venezuelanos recebem pernil a preços subsidiados através das bolsas de alimentos subsidiados pelo Estado.

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