Saída da Grécia do resgate é "mentira tóxica"

O ex-ministro das Finanças grego diz que Grécia não será "um país normal dentro da zona euro"

Yanis Varoufakis afirmou esta segunda-feira que a saída do país grego do programa de resgate prevista para o verão "é a mais tóxica das mentiras", porque o país vai continuar sob "a escravatura" da 'troika'.

"Depois do 11 de setembro, a tortura passou a chamar-se 'técnicas de interrogatório melhoradas' e, em Bruxelas, chamaram [à monitorização pós-resgate] 'vigilância melhorada'. Podiam ser mais imaginativos", disse o ex-ministro das Finanças grego na apresentação do seu novo partido, MeRA25.

Segundo o ex-ministro, a Grécia pós-memorando vai enfrentar "as mesmas armadilhas da troika", embora os credores assumam outro nome, e, "apesar das felicitações", não será "um país normal dentro da zona euro" e nem sequer poderá desfrutar do nível de supervisão concedido a Portugal.

Sobre o plano do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, para criar um colchão financeiro de cerca de 20.000 milhões de euros com o remanescente do resgate e as receitas dos primeiros financiamentos nos mercados internacionais, Varoufakis considerou que esses "restos" estão longe do que a Grécia necessita.

Para o economista e ex-ministro, a "Grécia enfrenta a crise mais urgente desde a guerra civil", agravada "pela desertificação" resultante da emigração em massa dos jovens com mais formação, uma das questões-chave do manifesto do MeRA25.

Quando anunciou que o seu movimento de esquerda pan-europeu Movimento para a Democracia na Europa 2025 (DiEM 25) iria evoluir para partido, em fevereiro, Varoufakis afirmou tratar-se de "uma força política para trazer de volta o espírito da 'Primavera grega'".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.