Duplo atentado. "Bombista suicida fez-se explodir entre os jornalistas"

Vários jornalistas morreram num atentado em Cabul que matou mais de 21 pessoas

Mais de 21 pessoas morreram, entre elas um fotógrafo da Agência France Presse (AFP) e sete outros jornalistas, num duplo atentado suicida hoje em Cabul (Afeganistão), o segundo dos quais visou a imprensa que reportava o primeiro ataque.

Segundo um balanço ainda provisório divulgado pelo Ministério da Saúde afegão, o ataque duplo fez pelo menos 21 mortos e 40 feridos.

Um jornalista da AFP contou 14 corpos na morgue do hospital Wazir Akbar Khan, mas outras vítimas foram enviadas para o hospital da organização não governamental italiana Emergency.

Shah Marai, fotógrafo-chefe do escritório da AFP em Cabul, que estava no local da primeira explosão, foi morto no segundo ataque, que ocorreu cerca de trinta minutos depois.

O jornalista trabalhava para a AFP desde 1996 e participou na cobertura da invasão dos EUA, em 2001.

Três outros jornalistas presentes foram atingidos por esta explosão, todos eles em serviço para televisões afegãs, incluindo um para o canal Tolo News, que já sofreu um ataque em 2016 que causou sete mortes e que foi reivindicado pelos talibãs.

O duplo atentado de hoje ainda não foi reivindicado.

De acordo com uma fonte das forças de segurança, o 'kamikaze' que atacou a imprensa tinha-se escondido entre os repórteres, transportando uma câmara.

"O bombista suicida fez-se explodir entre os jornalistas", disse o porta-voz da polícia de Cabul, Hashmat Stanikzai.

Os repórteres tinham ido cobrir o primeiro ataque, perpetrado pouco antes das 08:00 locais (04:30 em Lisboa), perto da sede dos serviços de inteligência afegãos (NDS).

O quartel-general do NDS havia sido alvo de um ataque suicida em março, quando um homem-bomba atravessou a barreira policial e se fez explodir na entrada do edifício, matando três pessoas e ferindo outras cinco.

Cabul tornou-se, segundo a ONU, o local mais perigoso no Afeganistão para os civis, com o aumento dos ataques, geralmente perpetrados por homens-bomba e reivindicados pelos talibãs ou pelo denominado Estado Islâmico (IS).

ESTADO ISLÂMICO REIVINDICA ATAQUE

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou hoje o duplo atentado suicida no centro de Cabul (Agefanistão), no qual morreram pelo menos 21 pessoas e outras 40 ficaram feridas.

Num comunicado oficial do grupo 'jihadista' difundido pelos canais Telegram, ligados ao denominado Estado Islâmico, os bombistas suicidas são identificados como Qaqaa al Kurdi e Jalil al Qurashi.

O ataque, de acordo com a declaração, cuja autenticidade não pôde ser confirmada, ocorreu na sede dos serviços de inteligência afegãos, conhecida como "Presidência 90".

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