Valls alerta que a Europa está em risco e não pode receber todos os refugiados

Dois barcos de madeira afundaram-se no mar Egeu e 43 pessoas morreram. Ministros do Interior da UE vão discutir na segunda-feira controlo das fronteiras

Na quinta-feira alertou em Davos que o projeto europeu pode "morrer muito rapidamente se formos incapazes de fazer face ao desafio da segurança". Ontem, em declarações à BBC, o primeiro-ministro francês afirmou que a Europa não consegue lidar com o número de refugiados que estão a entrar no espaço comunitário e que esta onda de chegadas está a ameaçar a ideia de União Europeia. "Não podemos dizer ou aceitar que todos os refugiados são bem-vindos na Europa", afirmou Manuel Valls à televisão britânica, acrescentando que a crise migratória ameaça desestabilizar a União Europa e que é necessário um controlo mais apertado nas fronteiras externas.

Para o líder do governo francês, a Europa precisa de enviar uma mensagem diferente daquela que é defendida pela chanceler alemã, Angela Merkel, que advoga que os países europeus aceitem o sistema de quotas. "A Alemanha enfrenta um desafio maior. Precisamos de ajudar a Alemanha. Mas a primeira mensagem que precisamos de enviar agora, com grande firmeza, é a de que não receberemos todos os refugiados na Europa", afirmou Valls. "Porque a mensagem que diz venham, serão bem-vindos, causa mudanças maiores".

Os ministros do Interior da União Europeia vão discutir na segunda-feira a possibilidade de ampliar os controlos fronteiriços de emergência acionados dentro do espaço Schengen por causa da onda de refugiados. Seis países Schengen - Alemanha, Suécia, Áustria, França, Dinamarca e Noruega (este não pertence à UE) - decidiram restabelecer temporariamente o controlo das suas fronteiras, medida que está em vigor até maio, mas que poderá ser estendida até um máximo de dois anos. Para isso, teria de ser recomendada pela Comissão Europeia e aprovada por uma maioria qualificada no Conselho Europeu.

Vizinha da Síria e que tem cerca de 2,2 milhões de refugiados deste país no seu território, a Turquia afirmou ontem que está a fazer o seu melhor para travar a vaga de migração ilegal para a Europa. Mas, disse o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, irá manter a política de "porta aberta" para os refugiados sírios.

Não levavam coletes

Pelo menos 43 pessoas, incluindo 17 crianças, afogaram-se ontem quando os barcos onde seguiam viraram junto a duas ilhas gregas perto da costa turca, naquele que já é um dos dias mais mortíferos para os migrantes que tentam chegar à Europa a partir da Turquia.

Dezenas de pessoas seguiam a bordo de um barco de madeira que naufragou perto de Kalolimnos, uma pequena ilha do mar Egeu perto da costa turca. 26 pessoas foram resgatadas e pelo menos 35 migrantes perderam a vida. Não é claro porque razão o barco virou, mas testemunhas apontam para o vento forte. Embarcações de pesca ajudaram nas operações de resgate, que duraram horas. "Eles não usavam coletes salva-vidas e não sabiam nadar", disse um pescador.

No acidente junto a Farmakonisi, outra pequena ilha grega e também perto da costa da Turquia, seis crianças e duas mulheres afogaram-se quando o seu barco de madeira embateu contra as rochas. Outras 40 pessoas que seguiam a bordo conseguiram nadar até à costa.

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