Uribe volta atrás com renúncia a cargo de senador

Ex-presidente colombiano, de 66 anos, rejeita ideia de que ia renunciar só para evitar ser investigado pelo Supremo Tribunal de Justiça, num caso em que é acusado de suborno e fraude processual.

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe voltou atrás com a decisão de renunciar ao cargo de senador, que anunciara na semana passada para se concentrar na sua defesa num caso em que é acusado de suborno e fraude processual.

"Pedi ao senador Ernesto Macías, presidente do Senado, que suspendesse sem considerar a minha carta de renúncia. Por questões de honra, nunca me ocorreu que o Supremo Tribunal deixe de ouvir o caso pelo qual fui convocado", escreveu Uribe no Twitter.

Uribe, mentor político do novo presidente Iván Duque (que toma posse a 7 de agosto), é o líder do partido Centro Democrático e foi o senador mais votado na história da Colômbia.

A renúncia foi anunciada no Twitter a 24 de julho, depois de o ex-presidente ter sido convocado para um interrogatório pelo Supremo Tribunal (a 3 de setembro), tendo a carta de demissão seguido mais tarde. O pedido só seria discutido esta sexta-feira.

Os críticos do ex-presidente alegavam que, com a renúncia, Uribe procurava escapar às malhas da justiça, já que o seu caso deixaria de ser investigado pelo máximo tribunal da justiça colombiana (porque perderia a imunidade) e passaria para as mãos da procuradoria. O atual procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, definiu no passado Uribe como "patriota".

O caso contra o ex-presidente (2002-2010) remonta a 2012, quando apresentou queixa contra o também senador Iván Cepeda (do Pólo Democrático, esquerda) por alegada conspiração para o envolver em atividades de grupos paramilitares, recorrendo a testemunhos que dizia serem falsos de detidos em prisões colombianas.

Contudo, o tribunal resolveu investigar Uribe por suspeita de que tinha manipulado os testemunhos contra o opositor. Caso seja condenado, ex-presidente enfrenta uma pena de prisão entre os seis e os 12 anos de prisão. Igualmente sob investigação está o congressista Álvaro Hernán Prada.

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Anselmo Borges

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