Unidos Podemos admite que resultados "não são bons"

Coligação que chegou a ser dada como segunda força politica mais votada em Espanha acabou por não ultrapassar o PSOE

O diretor de campanha da coligação da esquerda espanhola Unidos Podemos, Iñigo Errejón, admitiu hoje que os primeiros resultados conhecidos das eleições "não são bons", nem para a coligação, nem para Espanha, reconhecendo também não serem os esperados.

Em conferência de imprensa, no teatro Goya, onde os dirigentes de Unidos Podemos acompanham a contagem dos votos, reconheceu que as suas expetativas não se cumpriram.

Errejón insistiu que [estes resultados] podem atrasar um processo de mudança política que começou em 2011 e que "é irreversível".

Quando estão escrutinados cerca de 90% dos votos, o Partido Popular é o mais votado com 136 deputados eleitos, enquanto o Partido Socialista consegue 86 eleitos.

Segundo os dados oficiais, a aliança de esquerda Unidos Podemos estava em terceiro lugar, com 71 deputados, e o partido de centro-direita Ciudadanos tinha alcançado 32 lugares.

Nas legislativas de hoje, os espanhóis foram chamados a escolher os 350 deputados e 208 senadores que irão tentar desbloquear o atual impasse político em que o país vive há seis meses.

Depois das eleições de 20 de dezembro, os partidos políticos foram incapazes de chegar a acordo para assumir as responsabilidades governativas.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?