União Europeia lamenta saída de EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU

Embaixadora da organização disse que a proteção e a promoção dos direitos humanos continua a ser um dos pilares da política externa do organismo europeu

A União Europeia (UE) lamentou esta quarta-feira que os Estados Unidos tenham abandonado o Conselho de Direitos Humanos da ONU e advertiu que essa decisão corre o risco de minar o papel de Washington como defensor das liberdades fundamentais e da democracia.

"Os Estados Unidos sempre foram defensores das liberdades fundamentais e a decisão de deixar o Conselho representa o risco de minar o seu papel de defensor da defesa dos direitos humanos e da democracia", afirmou, em nome da UE, Deyana Kostadinova, embaixadora da Bulgária, país que detém a presidência rotativa do bloco comunitário.

Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira a saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU, invocando o precário registo de respeito pelos direitos humanos de países membros como a China, Venezuela, Cuba ou República Democrática do Congo e o suposto "preconceito crónico" contra Israel.

"Lamentamos essa decisão", salientou Kostadinova.

A embaixadora disse que a proteção e promoção dos direitos humanos "é e sempre será um dos pilares da política externa da UE", motivo pelo qual o bloco "continua comprometido com o trabalho do Conselho como um órgão indissolúvel de defesa das liberdades fundamentais".

A diplomata disse que a UE "partilha o objetivo de melhorar a eficácia" do Conselho, mas explicou que esse objetivo deve ser alcançado internamente.

"A UE continuará a apoiar o multilateralismo e o sistema das Nações Unidas e especialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que orgulhosamente celebra seu 70.º aniversário este ano", concluiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?