Uma galinha pode mudar o mundo? Bill Gates diz que sim

Se tivesse de viver apenas com dois dólares por dia, Bill Gates investiria em galinhas.

Por isso, o multimilionário criou uma campanha para ajudar a combater a pobreza extrema em África doando este animal. A ideia do criador da Microsoft é doar 100 mil galinhas às famílias de África Subsariana para que estas possam criá-las e vendê-las.

Bill Gates acredita que as galinhas podem ajudar a mudar o mundo desde que cheguem às pessoas certas. "Qualquer pessoa que viva em pobreza extrema fica melhor se tiver galinhas" porque as galinhas são um investimento barato mas com retornos positivos bastante altos.

Qualquer pessoa que viva em pobreza extrema fica melhor se tiver galinhas

"É fácil e barato tomar conta delas", escreve Bill Gates na página do projeto, porque "as galinhas comem o que encontram no chão" e precisam de poucas vacinas, que são geralmente baratas.

Além disso, segundo o empresário, o investimento compensa pois as galinhas reproduzem-se rapidamente e os camponeses podem vendê-las ou aos ovos. Um camponês pode passar de cinco galinhas para 40 a cada três meses e ganhar mais de mil dólares por ano, se vender cada galinha a cinco dólares, o que Bill Gates diz ser o preço médio em África Ocidental, embora não especifique em que país.

Com galinhas, os africanos poderão também combater a má nutrição extrema. Os ovos podem tornar-se a base da alimentação das famílias necessitadas, pois são ricos em proteína, embora o empresário aconselhe que os camponeses os vendam, ou às galinhas, para comprar outro alimentos.

A venda de galinhas também pode dar mais poder às mulheres, pois ao contrário das vacas ou cabras, as galinhas ficam perto de casa e podem ser cuidadas pelas mulheres.

Investir em mulheres em contextos de pobreza tem sido uma das soluções mais aplicadas pois as mulheres têm uma maior probabilidade de reinvestir os lucros na educação dos filhos.

Por estes motivos, Bill Gates acha que as galinhas podem ajudar muita gente dos 46 países que compõe a África Subsariana e que vivam em situações extremas. O objetivo é ajudar 30% das famílias subsarianas a criar galinhas saudáveis. Neste momento, apenas 5% consegue.

Melinda Gates apoia a causa do marido e publicou um texto em que explica como as galinhas podem dar liberdade económica a mulheres desfavorecidas.

No vídeo publicado na página do projeto, é dado o exemplo do Burkina Faso, um país onde o comércio interno de galinhas tem ajudado a dinamizar a economia.

Embora no Burkina Faso o plano pareça encaixar em todos os sentidos, alguns críticos duvidam do sucesso do projeto alargado aos outros 45 países.

Matthew Davies, editor da BBC Africa Business, disse à BBC que alimentar galinhas pode não ser tão simples como Bill Gates faz parecer. "De onde virá a ração quando a população de galinhas aumentar?", perguntou, acrescentando que eventualmente será necessário ter terras aráveis para conseguir alimentar os animais.

Além disso, com tantas galinhas no mercado o preço por galinha deverá diminuir, disse Matthew, e países como os Estados Unidos, o Brasil e os da União Europeia vendem os animais a preços tão baixos que os camponeses africanos não poderão competir no mercado.

Matthew Davies deixou claro que o gesto de Bill Gates é nobre e que a campanha deve seguir em frente pois, "se há uma pequena hipótese de sucesso tem de ser feito".

Bill Gates é um conhecido filantropo que tem feito várias obras e campanhas em benefício dos mais desfavorecidos. Para levar a cabo esta ideia ele conta com o apoio da Heifer International, uma organização sem fins lucrativos contra a pobreza, e pede que cada pessoa contribua, inscrevendo-se na página do projeto. Por cada inscrição, Bill Gates promete oferecer um bando de galinhas.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 41% das pessoas nos países da África Subsariana vivem em pobreza extrema, com menos de 2 dólares por dia.

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