Uma mulher vai dirigir pela primeira vez a capital japonesa

Metrópole vai ser palco dos Jogos Olímpicos de 2020. Escândalos financeiros levaram à demissão de anteriores governadores.

"Vou dirigir Tóquio de uma forma sem precedentes, de uma forma como nunca se viu", declarou Yuriko Koike ao serem conhecidos os resultados da eleição para o cargo de governador da capital nipónica que a tornaram a primeira mulher a dirigir uma área metropolitana com 13,5 milhões de habitantes.

Ainda que deputada do Partido Liberal Democrático (PLD) do primeiro-ministro Shinzo Abe, Koike, de 64 anos, não contou com o apoio oficial do partido, que apresentou um outro candidato, e enfrentou 20 adversários naquelas que foram as eleições mais concorridas de sempre. A agora eleita governadora de Tóquio, que desempenhou no passado funções de ministra do Ambiente e da Defesa, foi também a primeira mulher a candidatar-se à liderança do PLD, em 2008, tendo ficado em terceiro lugar.

As eleições para o cargo de governador de Tóquio, cujo mandato é de quatro anos, foram antecipadas e sucederam numa conjuntura marcada pela demissão do anterior responsável, Yoichi Masuzoe, acusado de desvio de fundos públicos. O seu antecessor, Naoki Inose, teve igualmente de se demitir, após a revelação de ter recebido dinheiro de um grupo empresarial ligado ao setor da saúde.

A campanha teve como tema principal a realização dos Jogos Olímpicos que irão realizar-se em 2020 na capital japonesa. A sua preparação tem sofrido alguns atrasos e ocorreram alguns pequenos escândalos, como o que levou à substituição do logo original, cujo autor foi acusado de plágio ou a derrapagem dos custos associados à edificação dos espaços para a realização das provas das diferentes modalidades. O custo original estava estimado em 730 mil milhões de ienes (1,2 mil milhões de euros). Atualmente, considera-se que o custo real será o dobro ou o triplo do valor inicialmente previsto.

Nesta questão, Koike pronunciou-se logo após a eleição, declarando que quer tornar a realização dos Jogos "numa oportunidade para construir uma nova Tóquio, que vá muito para além de 2020". A governadora agora eleita prometeu ainda devolver à cidade o estatuto de centro financeiro mais importante da Ásia, posição hoje ocupada por Singapura e Hong Kong, e apoiar ativamente a zona económica especial da capital.

Ainda em relação com os Jogos Olímpicos estão em investigação alegações de que a entidade organizadora da candidatura de Tóquio teria subornado ou tentado subornar elementos do Comité Olímpico Internacional.

Cidade com problemas

Após as demissões de Yoichi Masuzoe e de Naoki Inose, Koike tem a particular responsabilidade de dirigir a metrópole - designação administrativa de Tóquio, uma das 47 prefeituras do Japão, que integra 23 municípios - num momento em que a atenção internacional está concentrada sobre a capital.

Além da questão olímpica, da extensão urbana e peso demográfico de Tóquio, a cidade enfrenta a ameaça, sempre presente, de um grande tremor de terra de resultados imprevisíveis, deficiências em diferentes infraestruturas e uma população envelhecida, referiam ontem as agências.

Fluente em inglês e árabe, Koike é considerada próxima do antigo dirigente do PLD e primeiro-ministro Junichiro Koizumi, de quem foi ministra do Ambiente. Foi nessa época que defendeu uma maior informalidade na roupa dos funcionários e dirigentes públicos durante o verão para reduzir o consumo de energia. A preocupação com as questões ambientais esteve também no centro da sua campanha, tendo Koike adotado o verde como símbolo da candidatura e pedido aos apoiantes que vestissem sempre "alguma coisa" com esta cor.

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