Estado Islâmico reivindica ataque em Paris

Ataque causou 2 mortos: um polícia e o atacante que foi abatido. Há três feridos. Polícia procura segundo suspeito

O ataque desta quinta-feira, em Paris, já foi reivindicado pelo Estado Islâmico. Segundo a organização jihadista o atentado foi cometido por um belga. A informação foi publicada no site de propaganda do Estado Islâmico, o Amaq.

"O autor do ataque nos Campos Elísios, no centro de Paris, é Abu Yousif, 'o Belga', e é um dos combatentes do Estado Islâmico", relatou a Amaq.

A procuradoria francesa anunciou já ter aberto uma investigação de terrorismo ao ataque desta quinta-feira à noite nos Campos Elísios, em Paris, contra agentes policiais.

O gabinete do procurador de Paris informou que agentes do contraterrorismo estão envolvidos na investigação.

François Hollande numa declaração pública tinha garantido que as pistas já recolhidas eram de "ordem terrorista".

"Estamos convencidos, as pistas que podem conduzir a investigação são de ordem terrorista", afirmou o Presidente, numa declaração hoje à noite.

A porta-voz da polícia, Johanna Primevert, disse que o atirador parecia estar sozinho quando disparou contra um veículo da polícia, com uma espingarda Kalashnikov (AK47).

O autor dos disparos estava já identificado pelas autoridades como extremista. Segundo o jornal francês Le Figaro, citando uma fonte próxima da investigação, o atacante é um francês de 39 anos, condenado em 2005 a 15 anos de prisão por três tentativas de homicídio, duas delas a polícias. O atacante admitiu os factos durante o recurso. Em 2003, na primeira instância, tinha sido condenado a 20 anos de cadeia. O caso remonta a 2001, quando o alegado autor do ataque de ontem, conduzia uma carro roubado e embateu num outro carro onde seguia um polícia ainda em formação e o seu irmão. Depois do choque entre as viaturas, o suposto terrorista terá fugido, mas como foi apanhado pelo irmão do polícia e estava armado, disparou sobre os dois. O polícia ficou gravemente ferido no tórax. O atacante acabou preso, sob nome falso, e dois dias depois agarrou na arma de um guarda prisional e atingiu-o com vários tiros.

A polícia, entretanto, já emitiu um mandado de captura para um segundo suspeito que terá chegado a Paris vindo da Bélgica, de comboio.

Testemunhas ouvidas pela BFM TV diziam que este homem teria fugido, logo após o tiroteio, para um parque subterrâneo.

Estão, nesta altura, a decorrer buscas em Seine-et-Marne, arredores de país, na casa do atacante que foi abatido pela polícia, diz o Le Figaro.

Um polícia foi morto e dois estão gravemente feridos após um tiroteio em Paris, esta quinta-feira, nos Campos Elísios. Uma turista foi ligeiramente ferido por uma bala, no joelho.

A informação de um segundo polícia morto foi inicialmente avançada pela Reuters, que citava fonte policial, e também pela Sky News, France Info e por outros meios de comunicação social.

O porta-voz do ministério do Interior francês veio mais tarde assegurar que o segundo polícia não morreu no hospital. O balanço oficial é, por isso, de dois mortos, um deles o atacante.

"Era um terrorista. Saiu do carro com uma Kalashnikov e começou a disparar. Podia ter morto mais pessoas, mas apontou para os polícias, que felizmente o mataram", afirmou uma testemunha à Sky News.

A troca de tiros aconteceu pelas 21:00 locais, 20:00 em Portugal, a 3 dias da primeira volta das eleições presidenciais francesas e durante um debate. Os 11 candidatos presidenciais participam numa entrevista televisiva.

De acordo com a Reuters, testemunhas viram um homem sair de um carro e disparar uma metralhadora contra um carro das autoridades, matando um polícia. Depois tentou fugir a pé, tendo sido atingido e morto durante o tiroteio.

A Sky News diz que a arma utilizada foi uma Kalashnikov e que os atacantes usaram um carro da marca Audi A80.

Segundo fonte da polícia, citada pela Sky News, foram escutados disparos numa segunda localização em Paris, perto do local onde ocorreu o tiroteio. Ainda não há confirmação oficial desta informação.

Um helicóptero está a sobrevoar a área, onde estão vinte carrinhas da brigada de intervenção.

A troca de tiros aconteceu perto da cadeia de lojas Marks & Spencer. Todas as lojas da avenida foram fechadas.

A maior parte das ruas próximas do local estão fechadas e três estações de metro, George V, Franklin Roosevelt e Champs-Elysees-Clemenceau, foram fechadas por motivos de segurança.

Os principais atores políticos já estão a reagir no Twitter, enviando mensagens de condolências.

Donald Trump, Presidente dos EUA diz que "parece que é outro ataque terrorista". "O que se pode dizer? Não para. Temos de ser fortes e vigilantes, já o digo há muito tempo", acrescentou.

Três candidatos às eleições presidenciais em França, a dirigente de extrema-direita Marine Le Pen, o conservador François Fillon e o centrista Emmanuel Macron, cancelaram hoje as suas ações previstas para sexta-feira, último dia da campanha, após o ataque em Paris.

Detidos a 18 de abril

Na terça-feira, dois homens de 23 e 29 anos, suspeitos de prepararem um atentado "iminente", foram detidos em Marselha, no sul de França.

Os dois homens são "suspeitos de uma iminente passagem à ação", precisou uma das fontes.

Os suspeitos foram detidos pelos serviços de informação internos no quadro de uma investigação por associação criminosa terrorista, aberta em Paris.

Os dois detidos tinham um projeto de atentado para "os próximos dias em solo francês", disse o ministro do Interior, Matthias Fekl, numa conferência de imprensa.

Buscas em Marselha permitiram encontrar "elementos para materializar o ataque" e estão em curso "operações de segurança", adiantou.

Os dois homens eram "conhecidos devido à sua radicalização" e já estiveram presos por factos sem caráter terrorista, segundo uma fonte próxima da investigação.

"Tudo está a ser feito para garantir a segurança deste grande evento para a nossa República" que é a eleição presidencial, assegurou o ministro, assinalando "um risco terrorista que continua a ser maior que nunca".

Mais de 50.000 polícias, apoiados pelos militares da operação Sentinela, serão mobilizados para garantir a segurança das eleições no domingo, nomeadamente nos 67.000 locais de voto.

A França tem sido particularmente visada por atentados terroristas, fazendo parte dos países que intervêm na Síria contra o grupo extremista Estado Islâmico. Os dois últimos ataques visaram militares, embora sem os matar, no museu do Louvre e no aeroporto de Orly, em Paris.

Cinco projetos de atentados foram descobertos desde o início do ano, enquanto o ano passado o seu número foi de 17, disse em março o anterior ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

Instaurado após os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, que causaram 130 mortos, o estado de emergência tem vindo a ser prolongado e está em vigor até ao verão, tendo em conta as presidenciais e as legislativas em junho.

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