UE corre cada vez mais perigo de ser atingida pela "perversão da comunicação"

"A comunicação pode reforçar ou destruir a União Europeia?" Este é o tema em debate amanhã, Dia da Europa, na terceira Conferência do Ciclo "Os desafios da União Europeia", no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa.

A informação é o que "permite a vida em comunidade e assegura a democracia e o debate de ideias", mas cada vez mais é notório que pode ser "utilizada de formas extremamente perversas". Essa "perversão da comunicação" representa um perigo real para a União Europeia (UE), especialmente porque esta está a avançar para formas mais centralizadas de decisão, disse o presidente do Instituto Europeu, Eduardo Paz Fernandes.

"A comunicação pode reforçar ou destruir a UE?" é o tema da terceira conferência do ciclo "Os desafios da União Europeia", que decorre esta quarta-feira, 9 de maio, Dia da Europa, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa. O principal orador será Cees Hamelink, professor emérito de Comunicação e Política da Universidade de Amesterdão.

O objetivo "é ver quais são os caminhos para conservar aquilo que melhor há na informação e nas novas tecnologias e tentar defender contra o resto", afirmou ao DN o presidente do Instituto Europeu, que organiza a conferência.

"A informação é sempre extremamente positiva. É a existência de informação nas sociedades que permite a vida em comunidade e assegura a democracia e o debate de ideias", referiu Eduardo Paz Fernandes, lembrando que "nas sociedades que abafam a informação a vida é, obviamente, muito pior".

Contudo, explicou o presidente do Instituto Europeu, "chegamos a uma fase em que percebemos que a a informação pode ser utilizada de formas extremamente perversas". E menciona as "fake news" (notícias falsas) ou a problemática que se tornou especialmente visível a partir das eleições norte-americanas "da possibilidade de utilizar as novas tecnologias de informação para introduzir alterações naquilo que seria a expressão normal da vontade das pessoas".

Mas o problema não é exclusivo dos EUA e a UE também corre risco. "Temos uma potência profundamente iliberal que tenta intervir ativamente sobre a União Europeia no sentido da desestabilização e que, não há provas, mas há suspeitas, que tenha estado associada a tentativas de manipulação na França, na Itália, e no brexit, que foi talvez o primeiro balão de ensaio", afirmou Paz Fernandes, referindo-se à Rússia.

"Portanto, se a União Europeia for avançar para formas mais centralizadas e decisão, maior é o perigo de ser atingida por essa perversão da comunicação", acrescentou.

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