"Uber chinês" vai incluir um botão para chamar a polícia

Medidas de segurança surgem na sequência do assassinato de duas passageiras em três meses

A empresa de transporte privada chinesa Didi, equivalente à Uber, incluirá um "botão de pânico" na aplicação para contactar diretamente com a polícia, uma medida que surge após o assassínio de duas passageiras no espaço de três meses.

O Didi anunciou ainda, em comunicado, que vai suspender os seus serviços noturnos, durante uma semana, entre 8 e 15 de setembro, visando incorporar as novas medidas de segurança.

Outra das novidades da atualização será a possibilidade de realizar gravações áudio durante o trajeto. A firma prometeu ainda reforçar a verificação do antecedente criminal dos condutores.

A segurança da plataforma tem sido questionada pelas autoridades, depois da segunda morte, no espaço de três meses.

Há duas semanas, uma mulher de 20 anos foi violada e assassinada pelo condutor, durante uma viagem num carro privado, solicitado através do Didi, no leste da China.

Em maio passado, um caso semelhante resultou no homicídio de uma hospedeira de bordo chinesa, de 21 anos, em Zhengzhou, centro do país.

Vários casos de agressões sexuais a passageiras, por parte de condutores da aplicação de transporte, e que resultaram em processos judiciais, foram entretanto revelados pela imprensa chinesa.

O Governo chinês exigiu à empresa que entregue um plano aos reguladores, visando retificar os lapsos de segurança da plataforma.

Considerada uma das "start-ups" mais bem-sucedidas da China, a empresa adotou uma estratégia de expansão internacional este ano, incluindo a aquisição de parte da brasileira 99Taxis, em janeiro passado.

No final de 2017, o Didi estava avaliado em 56 mil milhões de dólares (48.170 milhões de euros).

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