Tusk sugere que Boris Johnson quer regresso de fronteiras na Irlanda

Presidente do Conselho Europeu rejeita pedido feito pelo primeiro-ministro britânico no sentido de a UE aceitar remover o backstop do acordo de retirada do Reino Unido da UE

A União Europeia recusou a exigência feita por Boris Johnson no sentido de se deixar cair a ideia do bacsktop, ou seja, mecanismo de salvaguarda destinado a evitar o regresso de uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte depois de o Reino Unido sair da União Europeia.

O novo primeiro-ministro britânico enviara, na segunda-feira à noite, uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pedindo que o backstop fosse removido do acordo de retirada do Reino Unido da UE. Sem apresentar alternativas. Sabendo que a UE já rejeitou, vezes sem conta, retirar aquele mecanismo do acordo do Brexit. Por causa do backstop, o Parlamento britânico já chumbou o acordo do Brexit três vezes. E a crise política que daí surgiu levou à demissão da ex-primeira-ministra Theresa May.

Tusk, que fala em nome dos chefes do Estado e do governo da UE, respondeu a Boris no Twitter: "O backstop é uma garantia para evitar o regresso de uma fronteira física na ilha da Irlanda a menos que - e até que - uma alternativa seja encontrada. Aqueles que estão contra o backstop não estão a propor alternativas realistas e, na verdade, estão a apoiar o regresso de uma fronteira. Apesar de não admitirem".

A Comissão Europeia, através de um porta-voz, fez saber que concorda com as declarações de Tusk. "Devem ter visto que o presidente Tusk acabou de tweetar a sua reação à carta, reação que nós partilhamos", declarou aos jornalistas. O presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, não irá ao G7, em Biarritz, este fim de semana e não se encontrará, por isso, com Boris Johnson.

O chefe do governo britânico e líder do Partido Conservador tem previstos encontros bilaterais com a chanceler alemã Angela Merkel - esta quarta-feira - e com o presidente francês Emmanuel Macron - esta quinta-feira. Antes das reuniões - e até mesmo de enviar a carta a Tusk - o governo de Boris Johnson indicou que, em caso de No Deal Brexit, a 31 de outubro, a livre circulação de pessoas cessará de imediato entre o Reino Unido e a UE.

"A livre circulação que existe atualmente vai terminar a 31 de outubro, quando o Reino Unido sair da UE. Por exemplo, vamos introduzir imediatamente regras mais rigorosas em matérias criminais para as pessoas que entram no Reino Unido", indicou uma porta-voz do executivo britânico, citada pelas agências internacionais.